USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Mulher, 46 anos de idade, refere dor torácica e regurgitação após refeições há 2 anos, com piora progressiva. Quando tem dor, apresenta melhora após a ingestão de líquidos. A queixa é mais intensa após refeições sólidas, evitando alimentos com esta consistência. Associadamente tem regurgitação durante o sono. Perdeu 5 Kg (IMC atual: 20 kg/m²).Realizou endoscopia digestiva alta, com achado de esofagite erosiva distal leve (grau A de Los Angeles) e gastrite erosiva leve de antro. Iniciou uso pantoprazol sem melhora dos sintomas.Retornou à consulta, quando foi solicitada uma radiografia contrastada de esôfago, estômago e duodeno. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o tratamento?
Disfagia progressiva para sólidos e líquidos + regurgitação noturna + perda de peso + falha IBP → suspeitar acalasia → cardiomiotomia e fundoplicatura parcial.
Acalasia é uma doença motora esofágica caracterizada por falha no relaxamento do EEI e ausência de peristalse esofágica. A disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação noturna e perda de peso são sintomas clássicos. A falha ao IBP e a esofagite leve são comuns. O diagnóstico é confirmado por manometria, mas a radiografia contrastada (esôfago em "bico de pássaro") é sugestiva. O tratamento definitivo é cirúrgico (cardiomiotomia).
A acalasia é um distúrbio primário da motilidade esofágica caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e perda da peristalse no corpo esofágico. É uma doença rara, mas com impacto significativo na qualidade de vida. A etiologia é desconhecida, mas envolve a degeneração dos neurônios do plexo mioentérico de Auerbach. A importância clínica reside no diagnóstico diferencial com outras condições, como a DRGE, e na necessidade de tratamento específico para evitar complicações como desnutrição e carcinoma esofágico. Os sintomas incluem disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos (especialmente noturna), dor torácica e perda de peso. A endoscopia digestiva alta pode ser normal ou mostrar esofagite leve, mas é importante para excluir pseudoacalasia (causada por neoplasias). A radiografia contrastada do esôfago pode revelar a dilatação esofágica e o estreitamento em "bico de pássaro" na junção esofagogástrica. O diagnóstico definitivo é feito pela manometria esofágica de alta resolução, que demonstra a aperistalse e a falha no relaxamento do EEI. O tratamento da acalasia visa aliviar a obstrução funcional na junção esofagogástrica. As opções incluem dilatação pneumática endoscópica, injeção de toxina botulínica e tratamento cirúrgico. A cardiomiotomia de Heller (seção das fibras musculares do EEI), geralmente realizada por laparoscopia e combinada com uma fundoplicatura parcial (para prevenir refluxo), é considerada o tratamento mais eficaz e duradouro. A fundoplicatura parcial é preferida à total para evitar disfagia pós-operatória.
Os sintomas clássicos incluem disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos (especialmente noturna), dor torácica e perda de peso.
A radiografia contrastada pode mostrar dilatação esofágica, ausência de peristalse e o clássico "bico de pássaro" ou "cauda de rato" na junção esofagogástrica, sugerindo acalasia.
A cardiomiotomia de Heller, frequentemente combinada com fundoplicatura parcial, é o tratamento cirúrgico que visa aliviar a obstrução na junção esofagogástrica, seccionando as fibras musculares do esfíncter esofágico inferior, melhorando a passagem do alimento.
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