USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Mulher de 50 anos de idade, costureira, vem para consulta ambulatorial referindo emagrecimento não intencional e dores em articulações de mãos há aproximadamente 6 meses, contínua, com piora progressiva nas últimas 4 semanas. Relata rigidez matinal de aproximadamente 20 minutos, mas conta que as dores são piores ao final do dia após realização das suas atividades diárias. Antecedentes: Hipertensão Arterial Sistêmica, em uso de hidroclorotiazida 25mg/dia; consumo de 5 garrafas de cerveja por semana; tabagismo 10 anos-maço. Ao exame clínico: dor à palpação de interfalanges proximais de todos os dedos de ambas as mãos, e de 2ª e 3ª metacarpofalanges bilateralmente, sem edema ou eritema. O restante do exame clínico está normal. Qual é a alternativa correta?
Emagrecimento não intencional + dor articular → considerar causas sistêmicas, incluindo disfunção tireoidiana (TSH).
A presença de sintomas sistêmicos como emagrecimento não intencional, associados a dor articular, exige uma investigação mais ampla para excluir causas metabólicas ou endócrinas que podem mimetizar ou coexistir com doenças reumatológicas. A dosagem de TSH é um exame de triagem fundamental nesse contexto.
A avaliação de dor articular crônica, especialmente quando acompanhada de sintomas sistêmicos como emagrecimento não intencional, exige uma abordagem diagnóstica abrangente. Embora doenças reumatológicas como artrite reumatoide e osteoartrite sejam causas comuns, é crucial considerar outras condições que podem mimetizar ou coexistir com elas, incluindo distúrbios endócrinos e metabólicos. A disfunção tireoidiana, tanto hipotireoidismo quanto hipertireoidismo, pode manifestar-se com sintomas musculoesqueléticos, como artralgias, mialgias e fraqueza. O hipotireoidismo, por exemplo, pode causar inchaço articular e síndrome do túnel do carpo, enquanto o hipertireoidismo pode levar à fraqueza muscular proximal. O emagrecimento não intencional é um sinal de alerta que pode indicar hipertireoidismo, malignidade ou outras doenças sistêmicas. Diante de um quadro de dor articular e sintomas sistêmicos inespecíficos, a dosagem de TSH (hormônio estimulante da tireoide) é um exame de triagem de baixo custo e alta relevância. A investigação deve incluir também exames de imagem, como radiografias das articulações afetadas, e outros marcadores inflamatórios ou autoanticorpos, conforme a suspeita clínica, para estabelecer um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento adequado.
Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem causar sintomas musculoesqueléticos. O hipotireoidismo pode levar a mialgias, artralgias, síndrome do túnel do carpo e inchaço articular. O hipertireoidismo pode causar fraqueza muscular e, menos comumente, artralgias.
A rigidez matinal prolongada (geralmente >30 minutos) é um forte indicativo de artrite inflamatória, como a artrite reumatoide. No entanto, rigidez de curta duração (como 20 minutos) pode ocorrer em osteoartrite, especialmente após períodos de inatividade.
A radiografia é indicada para avaliar alterações estruturais nas articulações, como estreitamento do espaço articular, osteófitos (osteoartrite), erosões e edema de partes moles (artrite inflamatória), sendo fundamental para o diagnóstico diferencial e acompanhamento.
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