HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher de 19 anos de idade comparece à Unidade Básica de Saúde, pois deseja iniciar uso de método contraceptivo. Iniciou a vida sexual há cerca de 1 ano, tendo parceiro fixo, com uso eventual de preservativo masculino (condom). Nega comorbidades, alergias ou uso de medicações previamente. Exame físico sem alterações. Após 18 meses da inserção do DIU de cobre, a paciente mantém a queixa de sangramento. Este agora é de grande quantidade, sendo acompanhado de cólicas intensas. Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
Sangramento + Cólica intensa persistente com DIU Cu → Considerar remoção/troca.
Embora o DIU de cobre possa aumentar o fluxo menstrual inicialmente, sintomas graves e persistentes após 18 meses justificam a troca do método para garantir a adesão e qualidade de vida.
O DIU de cobre é um método LARC (Long-Acting Reversible Contraception) altamente eficaz e não hormonal. Seu mecanismo de ação baseia-se na indução de uma resposta inflamatória citotóxica para espermatozoides e óvulos. Contudo, essa inflamação pode elevar os níveis de prostaglandinas no endométrio, resultando em menorragia e dor. O manejo clínico inicial pode incluir AINEs ou antifibrinolíticos (ácido tranexâmico) durante a menstruação. Entretanto, a persistência de sintomas limitantes após o período de adaptação (geralmente 6 meses) sugere intolerância ao método. A decisão de remover o dispositivo deve ser compartilhada com a paciente, priorizando sua autonomia e a transição segura para um novo método contraceptivo para evitar gestações não planejadas.
Sim, o aumento do volume menstrual e da dismenorreia são os efeitos colaterais mais comuns do DIU de cobre, ocorrendo principalmente nos primeiros 3 a 6 meses após a inserção devido a uma reação inflamatória endometrial estéril. No entanto, se os sintomas forem severos ou persistirem a longo prazo, a conduta deve ser reavaliada.
A retirada deve ser considerada quando o sangramento é excessivo, causa anemia, dor pélvica intensa (cólica) que não responde a analgésicos, ou quando a paciente manifesta insatisfação com o método. No caso clínico, após 18 meses com sintomas graves, a troca de método é a conduta mais adequada.
Para pacientes com sangramento uterino aumentado, o Sistema Intrauterino liberador de Levonorgestrel (SIU-LNG) é uma excelente alternativa, pois reduz significativamente o fluxo menstrual e a dismenorreia, além de oferecer alta eficácia contraceptiva.
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