Dispepsia e AINEs: Manejo da Dor Epigástrica

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 45 anos comparece à consulta com queixa de dor epigástrica de início há 2 semanas, que melhora quando come algo, acompanhada de plenitude pós-prandial. A paciente nega comorbidades, é sedentária e parou de fumar há 6 meses. É funcionária doméstica, refere a preocupações com dificuldade financeira, e faz uso irregular de antiinflamatórios não-esteroidais (AINE) quando sente dores musculares. Nega perda de peso. A conduta inicial neste primeiro momento é

Alternativas

  1. A) solicitar endoscopia digestiva alta para investigação.
  2. B) associar omeprazol ao AINE, em uso, para proteção gástrica.
  3. C) suspender AINE e introduzir omeprazol por 4 a 6 semanas.
  4. D) suspender AINE, iniciar omeprazol e citalopram para controle do estresse.

Pérola Clínica

Dor epigástrica + melhora com alimento + uso AINEs → Suspeita de úlcera/gastrite. Suspender AINE + IBP.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas dispépticos (dor epigástrica que melhora com alimentação, plenitude pós-prandial) e um fator de risco importante para lesão da mucosa gástrica: uso irregular de AINEs. A conduta inicial mais adequada é suspender o agente agressor e iniciar um inibidor de bomba de prótons (IBP) para cicatrização.

Contexto Educacional

A dispepsia funcional ou orgânica é uma queixa comum na prática clínica, caracterizada por dor ou desconforto na região epigástrica. O uso de anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) é uma causa frequente de lesões na mucosa gastroduodenal, incluindo gastrite e úlcera péptica, devido à inibição da síntese de prostaglandinas protetoras. É fundamental para residentes reconhecer essa associação. A fisiopatologia da lesão gástrica por AINEs envolve a diminuição da barreira mucosa, redução do fluxo sanguíneo e comprometimento da cicatrização. Os sintomas incluem dor epigástrica, que pode ser aliviada pela alimentação, e plenitude pós-prandial. A ausência de sinais de alarme como perda de peso ou disfagia sugere uma condição benigna inicialmente. A conduta inicial para dispepsia associada ao uso de AINEs é a suspensão do agente agressor e o início de um inibidor de bomba de prótons (IBP), como o omeprazol, por um período de 4 a 6 semanas para promover a cicatrização da mucosa. A investigação com endoscopia digestiva alta é reservada para casos refratários, presença de sinais de alarme ou idade > 60 anos, para excluir malignidade ou outras causas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas de dispepsia associada a AINEs?

Os principais sintomas incluem dor epigástrica, queimação, plenitude pós-prandial, saciedade precoce, náuseas e, em casos mais graves, hemorragia digestiva. A dor pode melhorar com a alimentação.

Por que é importante suspender o AINE em casos de dispepsia?

Os AINEs inibem a ciclooxigenase (COX), reduzindo a produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica. Suspender o AINE é crucial para permitir a cicatrização da mucosa e evitar a progressão da lesão.

Qual o papel do omeprazol no tratamento da dispepsia por AINEs?

O omeprazol, um inibidor de bomba de prótons (IBP), reduz a produção de ácido gástrico, criando um ambiente favorável para a cicatrização de úlceras e gastrites. É a terapia de escolha para supressão ácida.

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