Dor Lombar com Ciatalgia: Diagnóstico Diferencial e Conduta Inicial

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 35 anos com quadro de dor lombar esquerda aos esforços e com irradiação para a região glútea e membro inferior esquerdo há 5 dias. Nega antecedente pessoal de litíase urinária e refere história familiar (irmão do avô paterno). Refere parestesia intermitente. Procurou UPA onde solicitaram exame de urina e ultrassom. O exame de urina evidenciou densidade de 1030, pH de 8,0, leucócitos de 5 por campo, hemácias de 5 por campo e presença de cristais. Ultrassom evidenciou imagem de 0,3 cm no cálice inferior, sem sombra acústica posterior, interrogando cálculo urinário e ausência de dilatação no trato urinário. Após prescrever analgesia adequada, qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Referenciar para ortopedia para tratamento da lombalgia.
  2. B) Referenciar para urologia para tratamento da litíase.
  3. C) Regulação para realização de ressonância nuclear magnética.
  4. D) Regulação para internação hospitalar para realização de litotripsia.

Pérola Clínica

Dor lombar irradiada com parestesia + USG sem obstrução/cálculo claro → pensar em ciatalgia/causa ortopédica.

Resumo-Chave

A descrição da dor (lombar irradiada para glúteo e membro inferior, com parestesia) é altamente sugestiva de ciatalgia, uma condição ortopédica/neurológica. O achado de uma imagem de 0,3 cm no cálice inferior sem sombra acústica e sem dilatação não justifica a dor aguda e irradiada, tornando a causa renal menos provável para o quadro álgico principal.

Contexto Educacional

A dor lombar é uma das queixas mais comuns na prática médica, e seu diagnóstico diferencial é vasto, incluindo causas musculoesqueléticas, neurológicas, renais e outras. É crucial para o residente saber distinguir entre essas etiologias para direcionar a conduta adequada e evitar investigações desnecessárias ou atraso no tratamento correto. No caso apresentado, a dor lombar com irradiação para a região glútea e membro inferior esquerdo, associada a parestesia intermitente, é altamente sugestiva de ciatalgia, que geralmente decorre de compressão radicular (ex: hérnia de disco). Embora o ultrassom tenha evidenciado uma imagem de 0,3 cm no cálice inferior, a ausência de sombra acústica posterior e, mais importante, a ausência de dilatação do trato urinário, tornam improvável que essa imagem seja a causa da dor aguda e irradiada do paciente. Cálculos renais pequenos e não obstrutivos são frequentemente assintomáticos. Portanto, após a analgesia, a conduta mais apropriada é referenciar o paciente para avaliação ortopédica ou neurocirúrgica para investigação e tratamento da lombalgia com ciatalgia. É um erro comum focar em achados incidentais de exames complementares que não se correlacionam diretamente com a queixa principal do paciente, desviando o foco do problema real.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dor lombar de origem ciática?

A dor ciática tipicamente irradia da região lombar para a nádega e desce pela parte posterior da coxa e perna, frequentemente acompanhada de parestesias, dormência ou fraqueza no trajeto do nervo ciático, e piora com movimentos ou manobras que aumentam a pressão intratecal.

Como diferenciar dor lombar de origem renal da ciatalgia?

A dor renal (cólica nefrética) é geralmente em flanco, intensa, tipo cólica, sem relação com movimentos e pode irradiar para a genitália. A ciatalgia é lombar, piora com movimentos, irradia para a perna e pode ter sintomas neurológicos como parestesia ou fraqueza.

Um cálculo renal de 0,3 cm no cálice inferior causa dor?

Cálculos pequenos e não obstrutivos no cálice inferior geralmente são assintomáticos. A dor ocorre quando o cálculo se move e obstrui o ureter, causando cólica renal e dilatação do sistema coletor, o que não foi evidenciado neste caso.

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