Pielonefrite em Idosos: Manejo de ESBL e Sepse

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 73 anos, com infecção urinária de repetição, residente em lar geriátrico, é internada há 3 dias com quadro de febre, disúria e dor lombar. Vinha em uso de ciprofloxacina empiricamente para o tratamento de pielonefrite desde a admissão. Na avaliação atual, encontra-se febril, taquicárdica e com PA 80/40 mmHg. O laboratório de microbiologia informa o seguinte resultado: Material: urina; Organismo: Escherichia coli; Antibiograma; Em relação ao caso, afirma-se:I. A bactéria identificada provavelmente é uma produtora de carbapenemase e está indicado o escalonamento para amicacina.II. A escolha do antibiótico usado empiricamente foi adequada, considerando que o início da antibioticoterapia não deve aguardar o perfil de sensibilidade da bactéria causadora da infecção.III. O perfil de sensibilidade da bactéria identificada sugere produção de beta- lactamase de espectro expandido (ESBL), e há necessidade de ajuste na terapia direcionada. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) III.
  3. C) I e II.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

Pielonefrite grave em idosa com ITU de repetição e falha a ciprofloxacina → suspeitar ESBL e ajustar terapia para carbapenêmico.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com infecção urinária de repetição e pielonefrite grave, especialmente com falha à antibioticoterapia empírica com ciprofloxacina, deve-se fortemente suspeitar de bactérias produtoras de ESBL. Nesses casos, o perfil de sensibilidade da bactéria é crucial para o ajuste da terapia, geralmente para um carbapenêmico.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) em pacientes idosos, especialmente aqueles residentes em lares geriátricos e com histórico de infecções de repetição, apresenta um desafio significativo devido à alta prevalência de bactérias multirresistentes. A Escherichia coli produtora de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL) é um patógeno comum nesse cenário, conferindo resistência a penicilinas e cefalosporinas de amplo espectro, e frequentemente também a fluoroquinolonas como a ciprofloxacina. No caso apresentado, a paciente idosa com pielonefrite e choque séptico, em uso empírico de ciprofloxacina, e com a informação de que o perfil de sensibilidade sugere ESBL, indica a inadequação do tratamento inicial. A ciprofloxacina, embora seja uma opção para ITUs não complicadas, é frequentemente ineficaz contra ESBL. O choque séptico exige uma antibioticoterapia eficaz e rápida. A suspeita de ESBL, corroborada pelo perfil de sensibilidade, demanda um ajuste imediato da terapia. Para infecções graves por ESBL, os carbapenêmicos (como ertapenem, meropenem ou imipenem) são a classe de antibióticos de escolha. A afirmação III está correta porque a identificação de um perfil sugestivo de ESBL é um sinal claro de que a terapia empírica precisa ser ajustada para um antibiótico mais potente e eficaz contra esses patógenos resistentes. A afirmação I é muito forte ao sugerir carbapenemase sem evidência direta, e a afirmação II é incorreta, pois a escolha empírica da ciprofloxacina, neste contexto de alto risco para resistência, provavelmente não foi adequada.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco aumentam a chance de infecção urinária por ESBL em idosos?

Fatores de risco incluem infecções urinárias de repetição, uso recente de antibióticos de amplo espectro (especialmente fluoroquinolonas e cefalosporinas), internações hospitalares prévias, residência em instituições de longa permanência (lares geriátricos) e presença de cateteres urinários.

Qual a conduta inicial para um paciente com choque séptico por ITU em um cenário de alta resistência?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica (fluidos, vasopressores), coleta de culturas (urocultura, hemocultura) e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro que cubra patógenos resistentes, como um carbapenêmico, antes mesmo do resultado do antibiograma.

Como o perfil de sensibilidade da bactéria influencia o tratamento da pielonefrite por ESBL?

O antibiograma é essencial para confirmar a produção de ESBL e guiar a terapia direcionada. Se a bactéria for ESBL positiva, antibióticos como cefalosporinas de 3ª/4ª geração e fluoroquinolonas são ineficazes. Nesses casos, carbapenêmicos são a primeira escolha, e o antibiograma pode indicar outras opções como aminoglicosídeos ou fosfomicina, se sensíveis.

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