Hemobilia Pós-Trauma: Diagnóstico e Manejo da Colangite

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 25 anos, com história de acidente de trânsito com trauma abdominal fechado há 10 dias, deu entrada no pronto socorro com quadro de dor em hipocôndrio direito, icterícia e febre. Relatava ainda que percebeu um escurecimento das fezes nos últimos dias. No exame físico apresentava-se ictérica, hipocorada, febril e com FR de 110bpm. Foi realizado toque retal que evidenciou melena. Diante do caso acima, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Partindo da principal hipótese de colangite, o primeiro exame a ser solicitado é a ultrassonografia de abdome.
  2. B) O diagnóstico provável é de hemobilia, sendo comum flagrar o escoamento de conteúdo hemático pela papila duodenal na endoscopia digestiva alta.
  3. C) A paciente apresenta febre associada à tríade de Sandblom o que corrobora o diagnóstico de colangite por trauma.
  4. D) O tratamento inicial desta paciente deverá se iniciar desde já com omeprazol em dose plena, reposição de fluidos endovenosos e antibioticoterapia endovenosa, considerando o diagnóstico de úlcera gástrica por estresse (secundário ao politrauma e colangite.
  5. E) É provável que a paciente apresente colangite secundária a obstrução por coágulos na árvore biliar. Em geral o manejo do sangramento é conservador, mas a paciente precisará de descompressão da via biliar.

Pérola Clínica

Trauma abdominal + dor HD + icterícia + melena = Hemobilia.

Resumo-Chave

A hemobilia, sangramento na via biliar, é uma complicação rara de trauma hepático ou procedimentos biliares, manifestando-se pela tríade de Sandblom (dor em hipocôndrio direito, icterícia e hemorragia digestiva alta). A obstrução biliar por coágulos pode levar a colangite.

Contexto Educacional

A hemobilia é uma condição rara caracterizada por sangramento na árvore biliar, que pode ser espontâneo ou, mais comumente, secundário a trauma (iatrogênico ou contuso), procedimentos invasivos ou condições inflamatórias/tumorais. É uma causa incomum, mas importante, de hemorragia digestiva alta. A identificação precoce é crucial devido ao risco de complicações graves como anemia, choque e colangite. A fisiopatologia da hemobilia pós-trauma envolve a formação de fístulas entre vasos sanguíneos (geralmente ramos da artéria hepática) e o sistema biliar, resultando em sangramento para os ductos biliares. A presença de coágulos na via biliar pode levar à obstrução, causando icterícia e, se houver infecção, colangite. A tríade de Sandblom (dor em hipocôndrio direito, icterícia e hemorragia digestiva) é patognomônica, embora nem sempre completa. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem como angiotomografia ou arteriografia. O tratamento da hemobilia visa controlar o sangramento e resolver a obstrução biliar. A embolização arterial seletiva é o tratamento de escolha na maioria dos casos. Em situações de colangite obstrutiva por coágulos, a descompressão da via biliar (por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica - CPRE, ou cirurgia) é essencial, juntamente com antibioticoterapia. O prognóstico depende da causa, gravidade do sangramento e prontidão do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da hemobilia?

A hemobilia classicamente se manifesta pela tríade de Sandblom: dor em hipocôndrio direito, icterícia e hemorragia digestiva alta (melena ou hematêmese). Pode haver febre se houver colangite associada.

Como o trauma abdominal fechado pode levar à hemobilia?

O trauma abdominal fechado pode causar lesões hepáticas que resultam em fístulas bilio-vasculares, onde há comunicação entre vasos sanguíneos e ductos biliares. O sangramento para a via biliar se manifesta como hemobilia.

Qual o tratamento inicial para a hemobilia e suas complicações como a colangite?

O manejo inicial da hemobilia foca na estabilização hemodinâmica. O tratamento definitivo geralmente envolve embolização arterial seletiva. Se houver colangite por obstrução de coágulos, a descompressão da via biliar (endoscópica ou cirúrgica) é necessária, além de antibioticoterapia.

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