USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 34 anos de idade, 1G 1P, refere ciclos menstruais regulares com intervalo de 28 dias, porém com sangramento menstrual volumoso com perda de coágulos e cólica. Deseja engravidar. Ao exame ginecológico especular, sem alterações e toque vaginal com útero pouco aumentado difusamente. Foi realizada a ultrassonografia transvaginal apresentada (corte longitudinal) a seguir:Considerando o desejo da paciente e o controle da queixa, qual é o tratamento mais adequado?
Adenomiose + desejo de engravidar + sangramento/cólica → Progesterona pré-menstrual para controle sintomático e preservação da fertilidade.
A paciente apresenta sintomas clássicos de adenomiose (sangramento volumoso, cólica, útero difusamente aumentado) e desejo de engravidar. O tratamento com progesterona por 10 dias pré-menstrual visa reduzir o sangramento e a cólica, controlando os sintomas sem comprometer a fertilidade, sendo uma abordagem conservadora adequada para quem deseja gestar.
A adenomiose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico dentro do miométrio, a camada muscular do útero. É uma causa comum de sangramento uterino anormal (menorragia), dismenorreia severa e dor pélvica crônica, afetando significativamente a qualidade de vida das mulheres. Embora o diagnóstico definitivo seja histopatológico após histerectomia, a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética são ferramentas importantes para o diagnóstico presuntivo. A fisiopatologia envolve a invasão do endométrio basal no miométrio, levando a uma resposta inflamatória local e hipertrofia do músculo liso. A condição é estrogênio-dependente, o que explica a melhora dos sintomas após a menopausa. A adenomiose pode impactar a fertilidade devido à alteração da contratilidade uterina, inflamação local e disfunção endometrial. O tratamento da adenomiose depende da gravidade dos sintomas, da idade da paciente e do desejo de preservar a fertilidade. Para mulheres que desejam engravidar, a abordagem deve ser conservadora, focando no controle dos sintomas. A progesterona, administrada de forma cíclica (como 10 dias pré-menstrual) ou contínua, é uma opção eficaz para reduzir o sangramento e a dor, permitindo a tentativa de concepção. Outras opções incluem DIU hormonal de levonorgestrel (se a gravidez não for imediata) ou, em casos refratários, cirurgias conservadoras como a adenomiomectomia.
Os sintomas mais comuns da adenomiose incluem sangramento uterino anormal (menorragia), dismenorreia intensa (cólicas menstruais fortes) e, em alguns casos, dor pélvica crônica e infertilidade.
A ultrassonografia transvaginal pode sugerir adenomiose ao identificar um útero difusamente aumentado, miométrio heterogêneo, cistos miometriais, estrias hiperecogênicas e assimetria das paredes uterinas, embora o diagnóstico definitivo seja histopatológico.
Para pacientes com adenomiose e desejo de engravidar, o tratamento deve ser conservador, visando o controle dos sintomas sem afetar a fertilidade. Opções incluem progesterona (cíclica ou contínua), DIU hormonal de levonorgestrel (se a gravidez não for imediata) ou, em casos selecionados, cirurgia conservadora.
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