Luto Agudo: Manejo e Apoio na Atenção Primária

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 52 anos chega ao acolhimento de Unidade Básica de Saúde (UBS), muito chorosa, e relata: "Estou com dificuldade para dormir, não tenho comido direito, desde o ocorrido é o meu filho, sabe ele morreu há 3 dias e a dor no meu coração está muito forte, quase insuportável". A paciente chora copiosamente e diz que sonha com uma pessoa gritando o nome de seu filho, relembrando o momento em que o tinha encontrado na rua, vítima de atropelamento. Após o primeiro acolhimento, ela fica um pouco mais calma, relatando que não pensa em se matar, que nunca tinha sido atendida por psiquiatra ou tomado medicamentos antes, mas que nesse momento precisa de muita ajuda. Diante do caso, qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Prescrever inibidor de recaptação de serotonina para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos.
  2. B) Encaminhar ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) para seguimento intensivo com médico psiquiatra.
  3. C) Encaminhar para psicologia na atenção secundária para ofertar terapia psicanalítica breve.
  4. D) Acompanhar longitudinalmente para observação e ofertar apoio pela equipe da UBS.

Pérola Clínica

Luto agudo < 1 mês, sem ideação suicida ou psicose, é reação normal → apoio e acompanhamento na APS.

Resumo-Chave

A paciente apresenta uma reação de luto agudo normal, considerando o tempo decorrido desde a perda (3 dias) e a ausência de sinais de alerta como ideação suicida ou sintomas psicóticos. A conduta inicial adequada na Atenção Primária à Saúde (APS) é o acolhimento, apoio emocional e acompanhamento longitudinal, sem necessidade de medicalização ou encaminhamento especializado imediato.

Contexto Educacional

O luto é uma resposta natural e esperada à perda de um ente querido, manifestando-se de diversas formas emocionais, cognitivas, físicas e comportamentais. É um processo individual e complexo, influenciado por fatores culturais, sociais e pessoais. Na Atenção Primária à Saúde (APS), é fundamental que o profissional de saúde saiba diferenciar uma reação de luto normal de um luto complicado ou patológico, que pode exigir intervenções mais específicas. A fisiopatologia do luto não é uma doença, mas um processo de adaptação. Os sintomas agudos, como os descritos na questão (dificuldade para dormir, não comer, tristeza intensa, reviver o ocorrido), são comuns nas primeiras semanas e meses após a perda. A ausência de ideação suicida, psicose ou histórico psiquiátrico prévio, aliada ao curto período de tempo desde o óbito, reforça a natureza normal da reação. O acolhimento e a escuta ativa são as primeiras e mais importantes intervenções. A conduta adequada na APS envolve o acompanhamento longitudinal, oferecendo apoio emocional, psicoeducação sobre o processo de luto e monitoramento de sinais de alerta para complicações. A medicalização precoce com antidepressivos ou ansiolíticos não é recomendada para o luto normal, pois pode interferir no processo natural de elaboração. Encaminhamentos para serviços especializados devem ser reservados para casos de luto complicado ou transtornos psiquiátricos emergentes, após um período de observação e suporte na APS.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de uma reação de luto normal?

Uma reação de luto normal envolve tristeza intensa, dificuldade para dormir e se alimentar, choro, pensamentos recorrentes sobre o falecido e reviver o momento da perda. Geralmente, esses sintomas são mais intensos nas primeiras semanas e diminuem gradualmente.

Quando o luto deve ser considerado patológico ou necessitar de intervenção especializada?

O luto pode ser considerado patológico se persistir por mais de 6 a 12 meses (luto prolongado), se houver ideação suicida persistente, sintomas psicóticos, grave comprometimento funcional ou uso abusivo de substâncias. Nesses casos, a avaliação psiquiátrica é indicada.

Qual o papel da Atenção Primária à Saúde no manejo do luto agudo?

A APS tem um papel fundamental no acolhimento, escuta ativa e oferta de apoio emocional. O acompanhamento longitudinal permite monitorar a evolução do luto, identificar sinais de complicação e, se necessário, realizar encaminhamentos oportunos para serviços de saúde mental.

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