Amenorreia e Galactorreia: Prioridade Diagnóstica

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 32 anos, casada e previamente hígida, é encaminhada ao ambulatório por amenorreia há três meses e galactorreia à expressão de início mais recente. Relata menarca aos 13 anos com ciclos menstruais regulares, sem uso de contraceptivos orais. Realiza por conta própria os seguintes exames laboratoriais: TSH = 0,8mUI/mL (Valor de referência - VR: 0,4-4,0); T4 livre = 1,5ng/dL (VR: 0,8-1,8); Prolactina = 64ng/dL (VR: até 25). Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, o próximo exame a ser solicitado é:

Alternativas

  1. A) dosagem de βhCG.
  2. B) pesquisa de macroprolactina.
  3. C) ressonância magnética de sela túrcica.
  4. D) pesquisa de efeito gancho da prolactina.
  5. E) dosagem de GH, IGF-I e cortisol.

Pérola Clínica

Amenorreia + Galactorreia + Prolactina ↑ → EXCLUIR GRAVIDEZ (βhCG) antes de investigar outras causas.

Resumo-Chave

Em mulheres em idade fértil com amenorreia e galactorreia, mesmo com prolactina elevada, a primeira e mais importante etapa diagnóstica é excluir a gravidez com a dosagem de βhCG, pois é uma causa comum e reversível desses sintomas.

Contexto Educacional

Amenorreia e galactorreia são sintomas comuns que podem indicar uma variedade de condições, desde fisiológicas até patológicas. A amenorreia é a ausência de menstruação, enquanto a galactorreia é a produção de leite fora da lactação. A combinação desses sintomas, especialmente em mulheres em idade reprodutiva, exige uma investigação sistemática e cuidadosa. A hiperprolactinemia é uma causa frequente de amenorreia e galactorreia, e a prolactina elevada no caso clínico sugere essa condição. No entanto, a causa mais comum de amenorreia em mulheres em idade fértil é a gravidez. A gestação pode, inclusive, levar a um aumento fisiológico da prolactina e, consequentemente, à galactorreia, tornando-a a primeira hipótese a ser excluída. Portanto, antes de prosseguir com investigações mais complexas para hiperprolactinemia (como ressonância magnética de sela túrcica para prolactinoma ou pesquisa de macroprolactina), é imperativo descartar a gravidez através da dosagem de βhCG. A não realização deste exame inicial pode levar a diagnósticos equivocados, atraso no manejo adequado e ansiedade desnecessária para a paciente.

Perguntas Frequentes

Quais as principais causas de amenorreia e galactorreia?

As principais causas incluem gravidez, hiperprolactinemia (por prolactinoma, uso de medicamentos, hipotireoidismo), estresse, exercícios excessivos, perda de peso extrema e síndrome dos ovários policísticos.

Por que dosar βhCG é o primeiro passo na investigação?

A gravidez é a causa mais comum de amenorreia em mulheres em idade fértil e pode estar associada à galactorreia devido ao aumento fisiológico da prolactina. Descartar a gravidez é crucial antes de prosseguir com outras investigações.

Quando investigar macroprolactina ou prolactinoma?

Após descartar gravidez e outras causas secundárias (como hipotireoidismo ou uso de medicamentos), a pesquisa de macroprolactina pode ser feita se a prolactina estiver elevada. A ressonância magnética de sela túrcica é indicada para investigar prolactinoma em casos de hiperprolactinemia persistente e significativa.

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