Vulvodínia: Diagnóstico e Manejo da Dor Crônica Vulvar

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 30 anos de idade, casada, nuligesta, refere dor e queimação no períneo há 3 meses, intermitente, que piora ao loque da região vestibular. Faz uso de contraceptivo combinado oral. Refere dispareunia de penetração. Ao exame ginecológico, observa-se corrimento branco, de aspecto mucoide, exteriorizando-se pelo introito vaginal e formações labiais e vestibulares sem alterações, além de dor no toque. A paciente não permitiu realizar o toque bidigital, porém, no toque unidigital, não se observaram alterações na mucosa ou musculatura vaginal. O diagnóstico mais provável é

Alternativas

  1. A) vaginismo.
  2. B) líquen plano.
  3. C) sindrome pós-herpética.
  4. D) sindrome da dor vesical.
  5. E) vulvodinea.

Pérola Clínica

Vulvodínia = dor vulvar crônica > 3 meses, sem causa identificável, piora ao toque/pressão.

Resumo-Chave

A vulvodínia é uma síndrome de dor crônica na vulva, caracterizada por dor e queimação sem causa aparente, frequentemente exacerbada por toque ou pressão. A dispareunia de penetração é um sintoma comum, e o diagnóstico é de exclusão, após afastar outras condições.

Contexto Educacional

A vulvodínia é uma condição de dor crônica na vulva, definida como dor vulvar com duração mínima de três meses, na ausência de achados clínicos claros que possam explicá-la. Afeta uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva, impactando sua qualidade de vida e sexualidade. É crucial para o residente reconhecer essa condição para um diagnóstico e manejo adequados. A fisiopatologia da vulvodínia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, inflamatórios, hormonais e neurológicos, como a sensibilização de nociceptores e disfunção do assoalho pélvico. O diagnóstico é clínico e de exclusão, exigindo uma investigação completa para afastar infecções (candidíase, herpes), dermatoses (líquen escleroso, líquen plano), neuropatias e outras causas de dor. A história de dor à palpação do vestíbulo vulvar (vestibulodínia provocada) é um achado comum. O tratamento da vulvodínia é complexo e individualizado, geralmente envolvendo uma abordagem multidisciplinar. Inclui medidas não farmacológicas como fisioterapia pélvica, biofeedback, modificações de estilo de vida e terapia sexual. Farmacologicamente, podem ser utilizados anestésicos tópicos, antidepressivos tricíclicos, gabapentina, e em casos refratários, bloqueios nervosos ou cirurgia (vestibulectomia). O prognóstico varia, mas a melhora da qualidade de vida é o objetivo principal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da vulvodínia?

Os principais sintomas da vulvodínia incluem dor, queimação, ardência e irritação na região vulvar, que podem ser constantes ou intermitentes, e frequentemente pioram com o toque ou pressão. A dispareunia de penetração é muito comum.

Como é feito o diagnóstico da vulvodínia?

O diagnóstico da vulvodínia é de exclusão. Baseia-se na história clínica de dor vulvar crônica por mais de três meses, sem causa infecciosa, inflamatória, neurológica ou estrutural identificável. O teste do cotonete pode ser útil para localizar a dor.

Qual a conduta inicial para uma paciente com suspeita de vulvodínia?

A conduta inicial envolve uma anamnese detalhada e exame físico para excluir outras causas. O tratamento é multidisciplinar, incluindo medidas comportamentais, fisioterapia pélvica, medicamentos tópicos (anestésicos, corticoides), antidepressivos tricíclicos ou gabapentina.

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