UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Mulher, 41 anos, relata aumento progressivo de fluxo e da duração menstrual há 2 anos, associado a dismenorreia importante com piora após nascimento do filho por parto cesáreo. Atualmente, refere sangramento por até 10 dias com necessidade de uso de absorventes noturnos durante esse período. Exame físico: útero aumentado de volume, ainda restrito ao oco pélvico, globoso e móvel. US transvaginal: útero de aspecto globoso, tipo “bala de canhão”, volume estimado de 200mL. Ressonância nuclear magnética (RNM) da pelve: zona juncional de 18mm e com focos sugerindo glândulas ectópicas. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Adenomiose = Dismenorreia + Sangramento Uterino Anormal + Útero globoso/aumentado + Zona juncional espessada RNM.
A adenomiose é caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico no miométrio, causando dismenorreia intensa, sangramento uterino anormal e um útero aumentado e globoso, frequentemente piorando após cesariana.
A adenomiose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) dentro do miométrio, a camada muscular do útero. É uma causa comum de sangramento uterino anormal e dismenorreia, afetando mulheres em idade reprodutiva, com maior incidência na quarta e quinta décadas de vida. A história de cesariana é um fator de risco conhecido, pois a incisão uterina pode facilitar a invasão do endométrio. Clinicamente, a adenomiose se manifesta com menorragia (fluxo menstrual intenso e prolongado) e dismenorreia secundária, que tende a ser progressiva e severa. Ao exame físico, o útero pode estar aumentado, globoso e sensível à palpação. O diagnóstico é fortemente sugerido por exames de imagem. A ultrassonografia transvaginal pode mostrar um útero globoso e heterogêneo, com cistos miometriais. A Ressonância Nuclear Magnética (RNM) da pelve é o padrão ouro não invasivo, evidenciando o espessamento da zona juncional (camada interna do miométrio) e a presença de focos de glândulas ectópicas. O tratamento da adenomiose pode ser clínico, com analgésicos, anti-inflamatórios, progestagênios ou análogos de GnRH, visando o alívio dos sintomas. Em casos de sintomas refratários ou desejo de resolução definitiva, a histerectomia é o tratamento curativo.
Os sintomas clássicos incluem dismenorreia intensa e progressiva, sangramento uterino anormal (menorragia, metrorragia) e, por vezes, dor pélvica crônica.
A RNM é o exame de imagem mais sensível e específico para adenomiose, permitindo a visualização do espessamento da zona juncional (>12mm) e a identificação de focos de glândulas ectópicas no miométrio.
A cesariana pode criar uma porta de entrada para a invasão do endométrio no miométrio através da cicatriz uterina, contribuindo para o desenvolvimento ou exacerbação da adenomiose.
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