Dengue Grupo B: Manejo em Pacientes com Stent e Comorbidades

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 68a, comparece ao pronto-socorro com febre alta, mialgia e cefaleia retrorbitária há seis dias. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial, doença coronariana com colocação de stent farmacológico há dois meses, dislipidemia. Medicações em uso: losartana, hidroclorotiazida, AAS, clopidogrel e atorvastatina. Exame físico: regular estado geral, PA = 122/76 mmHg, FC = 102 bpm. Ausculta cardiopulmonar normal. Abdômen: indolor, flácido, fígado não palpável. Pele: petéquias em membros inferiores. Exames laboratoriais: hemoglobina = 12,2 g/dL, hematócrito = 36,2%, leucócitos = 2400/mm³, plaquetas = 47.000/mm³. Em relação a classificação de risco, exame diagnóstico e tratamento desta paciente, é correto:

Alternativas

  1. A) Dengue grupo B; solicitar NS1; suspender AAS e clopidogrel e reavaliar diariamente.
  2. B) Dengue grupo C; solicitar NS1; manter AAS e clopidogrel e internar paciente.
  3. C) Dengue grupo A; solicitar PCR; suspender AAS e clopidogrel e reavaliar diariamente.
  4. D) Dengue grupo B; solicitar sorologia; manter AAS e clopidogrel e internar paciente.

Pérola Clínica

Dengue + Comorbidade/Risco Social = Grupo B → Internação se sinais de alarme ou risco alto.

Resumo-Chave

Pacientes com comorbidades graves ou uso de antiagregantes (especialmente stent recente) são Grupo B. A manutenção da antiagregação deve ser individualizada, priorizando o risco trombótico do stent.

Contexto Educacional

O manejo da dengue em pacientes com doenças cardiovasculares crônicas exige equilíbrio entre o risco hemorrágico da arbovirose e o risco trombótico da interrupção de antiagregantes ou anticoagulantes. Pacientes do Grupo B (comorbidades ou riscos sociais) devem ser avaliados quanto à necessidade de internação para hidratação supervisionada e monitoramento de plaquetas. No caso de stents coronarianos recentes, a diretriz brasileira de cardiologia e os protocolos de arboviroses sugerem a manutenção da terapia antiplaquetária, a menos que haja sangramento grave (Grupo D), devido à alta letalidade da trombose de stent. O diagnóstico laboratorial deve respeitar a cronologia: NS1/PCR até o 5º dia; sorologia a partir do 6º dia.

Perguntas Frequentes

Por que esta paciente é classificada como Grupo B?

A paciente apresenta condições clínicas especiais (hipertensão, doença coronariana com stent recente) e risco de sangramento (petéquias), sem sinais de alarme. Isso a enquadra no Grupo B segundo o Ministério da Saúde.

Deve-se suspender o AAS e Clopidogrel na Dengue?

Em pacientes com stent coronariano recente (menos de 6 meses para farmacológico), a suspensão da dupla antiagregação aumenta drasticamente o risco de trombose do stent. A recomendação é manter a medicação e monitorar rigorosamente, internando o paciente.

Qual o exame diagnóstico indicado no 6º dia de sintomas?

A partir do 6º dia de início dos sintomas, o método de escolha é a sorologia (IgM/IgG), pois a viremia (detectada por NS1 ou PCR) geralmente já declinou.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo