Quilotórax: Diagnóstico e Manejo do Derrame Pleural

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 58a, queixa-se de dispneia e dor torácica à direita. Sem outras queixas. Está no nono dia de pós-operatório de ressecção de um tumor de mediastino posterior, sem intercorrências. Antecedentes: hipertensão arterial, tabagismo ativo. Exame físico: regular estado geral; corada; hidratada; PA=132x76mmHg; FC=68bpm; T=36,4ºC; FR=16irpm; oximetria de pulso=96% (ar ambiente). Pulmões: murmúrio vesicular reduzido à direita, sem ruídos adventícios. Tomografia computadorizada de tórax: derrame pleural à direita, com atelectasias restritivas principalmente em lobo inferior, e leve espessamento parietal brônquico. Realizada toracocentese diagnóstica. Líquido pleural: coloração=esbranquiçada, aspecto=leitoso; hemácias=4.000/mm³; leucócitos=2.032/mm³(90% linfomonucleares e 10% polimorfonucleares); raras células mesotelias e regular número de macrófagos; proteínas totais=1,5g/dL; glicose=102mg/dL; colesterol=66mg/dL; triglicérides=2.683mg/dL; desidrogenase láctica=77U/L. A ANÁLISE DESTE LÍQUIDO CAVITÁRIO CLASSIFICA O DERRAME PLEURAL COMO: 

Alternativas

Pérola Clínica

Derrame pleural leitoso + triglicérides > 110 mg/dL = Quilotórax.

Resumo-Chave

O aspecto leitoso do líquido pleural, combinado com níveis elevados de triglicérides (neste caso, 2.683 mg/dL, muito acima do ponto de corte de 110 mg/dL), é diagnóstico de quilotórax. Este é um tipo de derrame pleural causado pelo extravasamento de linfa do ducto torácico para o espaço pleural.

Contexto Educacional

O quilotórax é um tipo de derrame pleural caracterizado pelo acúmulo de linfa no espaço pleural, geralmente devido à ruptura ou vazamento do ducto torácico. Embora raro, é uma complicação potencialmente grave que pode ocorrer após trauma, cirurgia torácica ou mediastinal, ou em associação com malignidades. O reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado e para evitar complicações como desnutrição e imunossupressão. A fisiopatologia envolve a interrupção do fluxo linfático, permitindo que o quilo, rico em triglicérides, extravase para a pleura. O diagnóstico é estabelecido pela toracocentese, que revela um líquido pleural tipicamente leitoso ou opalescente. Os critérios laboratoriais são cruciais: triglicérides no líquido pleural > 110 mg/dL são diagnósticos, e a presença de quilomícrons confirma. O tratamento inicial do quilotórax é conservador, com dieta de baixo teor de gordura e triglicérides de cadeia média, e drenagem pleural. Em casos refratários, podem ser consideradas intervenções como octreotide, embolização do ducto torácico ou ligadura cirúrgica. O prognóstico depende da causa subjacente e da prontidão do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que confirmam o diagnóstico de quilotórax?

O diagnóstico de quilotórax é confirmado pela presença de líquido pleural com aspecto leitoso e níveis de triglicérides superiores a 110 mg/dL. A relação triglicérides líquido/sérico também pode ser útil.

Qual a causa mais comum de quilotórax em pacientes pós-cirúrgicos?

Em pacientes pós-cirúrgicos, o quilotórax é frequentemente causado por lesão iatrogênica do ducto torácico durante procedimentos torácicos ou mediastinais, como a ressecção de tumores.

Como diferenciar quilotórax de pseudocilotórax?

A principal diferença está nos níveis lipídicos do líquido pleural: quilotórax tem triglicérides elevados (>110 mg/dL) e colesterol normal ou baixo, enquanto pseudocilotórax tem colesterol elevado (>200 mg/dL) e triglicérides baixos.

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