UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Mulher, 33a, G3P2C0A0, idade gestacional de 37 semanas, chega à Maternidade após crise convulsiva há 1 hora (tônico-clônica generalizada). Refere dor de cabeça de forte intensidade há 3 dias. Antecedentes pessoais: primeiro filho com o atual parceiro, nega complicações em gestações anteriores. Exame físico: PA= 142x86 mmHg, FC= 86 bpm, FR= 22 irpm; Edema em face, mãos, membros inferiores, exame neurológico: normal. Exame ginecológico: altura uterina 35cm, ausência de contrações, feto cefálico. Plaquetas= 230.000 mm³ , RNI= 1,02, creatinina= 0,9mg/dL, AST= 15 UI/L, bilirrubina total= 0,8 mg/dL, relação proteína/creatinina urinária= 0,4. Cardiotocografia: A CONDUTA É:
Eclâmpsia (convulsão + pré-eclâmpsia) → Sulfato de Magnésio + estabilização materna + parto.
A eclâmpsia é uma emergência obstétrica caracterizada por convulsões tônico-clônicas generalizadas em gestantes com pré-eclâmpsia. A conduta inicial envolve o controle da crise com sulfato de magnésio e a interrupção da gestação, preferencialmente por indução de parto se as condições maternas e fetais permitirem, especialmente em gestações a termo ou próximo ao termo.
A eclâmpsia é uma das complicações mais graves da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões em gestantes, puérperas ou, mais raramente, no período anteparto. Representa uma emergência obstétrica com alta morbimortalidade materna e fetal, sendo crucial o reconhecimento rápido e o manejo adequado. A incidência varia globalmente, mas permanece uma das principais causas de morte materna. A fisiopatologia da eclâmpsia está ligada à disfunção endotelial generalizada da pré-eclâmpsia, levando a vasoespasmo cerebral, edema e isquemia. O diagnóstico é clínico, pela presença de convulsões em paciente com pré-eclâmpsia. Sinais de alerta incluem cefaleia intensa, distúrbios visuais, dor epigástrica e hiperreflexia. A suspeita deve ser alta em qualquer gestante hipertensa com esses sintomas. A conduta na eclâmpsia envolve primeiramente o controle da crise convulsiva com sulfato de magnésio, que é o anticonvulsivante de escolha. Após a estabilização materna, a interrupção da gestação é o tratamento definitivo, independentemente da idade gestacional. A via de parto (indução ou cesariana) é decidida com base nas condições obstétricas e maternas, priorizando a segurança da mãe. O monitoramento rigoroso da paciente e do feto é essencial durante todo o processo.
A eclâmpsia é diagnosticada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante com pré-eclâmpsia (hipertensão e proteinúria ou disfunção de órgão-alvo), na ausência de outras causas para as convulsões.
A dose de ataque usual é de 4 a 6 gramas de sulfato de magnésio intravenoso em 15 a 20 minutos, seguida por uma dose de manutenção de 1 a 2 gramas por hora em infusão contínua, monitorando os reflexos patelares e a diurese.
A indução de parto é preferível quando a gestação está a termo ou próximo ao termo, o colo uterino é favorável e não há sofrimento fetal agudo ou outras indicações obstétricas para cesariana. A estabilização materna é a prioridade antes da interrupção da gestação.
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