CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
A mucormicose rino-orbitária é uma infecção causada por fungos que pode ocorrer, preferencialmente, em pacientes com:
Mucormicose + Cetoacidose Diabética = Emergência cirúrgica imediata + Anfotericina B.
A mucormicose rino-orbitária é uma infecção fúngica angioinvasiva devastadora que ocorre preferencialmente em pacientes com cetoacidose diabética devido à afinidade do fungo por ambientes ácidos e ricos em ferro.
A mucormicose rino-orbitária representa uma das emergências mais dramáticas na interface entre a endocrinologia, otorrinolaringologia e oftalmologia. A patogênese é marcada pela angioinvasão, onde as hifas fúngicas invadem as paredes dos vasos sanguíneos, causando trombose e necrose tecidual isquêmica. Historicamente associada a pacientes com diabetes descompensado, também é vista em imunossuprimidos e pacientes em uso de quelantes de ferro. O prognóstico depende inteiramente da rapidez da intervenção. O residente deve manter um alto índice de suspeição em qualquer paciente diabético com sinusite aguda e sinais orbitários, solicitando avaliação imediata e biópsia de tecidos suspeitos.
Os fungos da ordem Mucorales possuem a enzima cetona redutase, que permite sua proliferação em ambientes ácidos e ricos em glicose. Além disso, a acidose dissocia o ferro da ferritina, disponibilizando ferro livre, que é um nutriente essencial para o crescimento fúngico agressivo.
Os sinais incluem dor facial unilateral, proptose, quemose, oftalmoplegia e a presença característica de uma escara necrótica enegrecida nos cornetos nasais ou no palato duro, resultante da invasão vascular e infarto tecidual.
O tratamento é uma tríade: 1) Controle agressivo da doença de base (reversão da acidose); 2) Desbridamento cirúrgico radical de todos os tecidos necrosados; 3) Terapia antifúngica sistêmica com Anfotericina B lipossomal em doses elevadas.
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