UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
Um paciente de 61 anos com antecedentes de diabetes mellitus tipo II é internado em UTI de Curitiba, por complicações respiratórias relacionadas à COVID-19. Sob ventilação mecânica, recebe antibióticos e dexametasona, 6 mg/kg/dia. Após 7 dias de tratamento, apresenta picos febris, dor facial, lesão necrótica em palato, edema da pirâmide nasal e diplopia. Uma tomografia de seios da face revela velamento de seios paranasais e etmoidais. A curetagem de material obtido da ulceração de palatorevelou em exame microscópico direto clarificado com hidróxido de potássio (KOH) as estruturas na figura ao lado. Baseado no caso relatado e nos exames apresentados, a principal hipótese diagnóstica é:
DM + COVID-19 + Dexametasona + Necrose palato + Hifas largas não septadas = Mucormicose.
A mucormicose é uma infecção fúngica invasiva e agressiva, frequentemente observada em pacientes imunocomprometidos, especialmente diabéticos descompensados e aqueles em uso de corticosteroides. A tríade de diabetes, COVID-19 e uso de dexametasona cria um ambiente propício. A lesão necrótica em palato, edema nasal e diplopia são sinais de invasão tecidual, e a visualização de hifas largas, não septadas, com ramificação em ângulo reto no KOH é patognomônica.
A mucormicose é uma infecção fúngica oportunista rara, mas extremamente agressiva e com alta mortalidade, causada por fungos da ordem Mucorales. Afeta predominantemente pacientes imunocomprometidos, sendo o diabetes mellitus descompensado (especialmente com cetoacidose) o fator de risco mais comum. Recentemente, a mucormicose emergiu como uma complicação grave em pacientes com COVID-19, particularmente aqueles que receberam corticosteroides e têm diabetes, devido à imunossupressão e disfunção imunológica induzidas pela doença e tratamento. A apresentação clínica mais comum é a mucormicose rinocerebral, que se manifesta com dor facial, edema, lesões necróticas escuras no palato ou na mucosa nasal, e pode progredir rapidamente para envolvimento orbital (proptose, diplopia, perda de visão) e cerebral. A suspeita clínica é crucial em pacientes de risco com esses sintomas. A tomografia computadorizada dos seios da face pode mostrar velamento e erosão óssea, mas o diagnóstico definitivo requer biópsia do tecido afetado. Microscopicamente, a mucormicose é caracterizada pela presença de hifas largas, não septadas ou escassamente septadas, com ramificação em ângulo reto, que invadem vasos sanguíneos e causam trombose e necrose tecidual. O tratamento é uma emergência médico-cirúrgica, envolvendo desbridamento cirúrgico agressivo do tecido necrótico e terapia antifúngica sistêmica com anfotericina B lipossomal. O prognóstico é reservado, e a mortalidade permanece alta, enfatizando a importância do diagnóstico precoce e manejo intensivo.
Os principais fatores de risco incluem diabetes mellitus descompensado (especialmente com cetoacidose), imunossupressão (uso de corticosteroides, transplantes, neutropenia), malignidades hematológicas, uso de deferoxamina e, mais recentemente, infecção grave por COVID-19.
Os sinais clínicos incluem dor facial intensa, edema periorbital ou facial, lesões necróticas escuras no palato ou mucosa nasal, secreção nasal sanguinolenta, proptose, diplopia e perda de visão. A progressão é rápida e pode levar à invasão cerebral.
O diagnóstico definitivo é feito pela biópsia do tecido afetado, que revela hifas largas, não septadas ou escassamente septadas, com ramificação em ângulo reto, invadindo vasos sanguíneos. A cultura pode ser negativa, portanto, o exame histopatológico é crucial. Exames de imagem (TC/RM) ajudam a determinar a extensão da doença.
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