TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
A mucormicose, chamada de "fungo negro" é uma infecção fúngica oportunista, altamente invasiva, não transmissível, causada por fungos da ordem Mucorales. O aumento de casos relacionados à COVID-19 aumentou muito durante a pandemia. Qual é o melhor tratamento para essa condição?
Mucormicose (fungo negro) → Anfotericina B (preferencialmente lipossomal) + Debridamento Cirúrgico.
A mucormicose é uma emergência médica que exige antifúngico sistêmico agressivo (Anfotericina B) associado ao controle da doença de base e desbridamento de tecidos necróticos.
A mucormicose é uma infecção fúngica oportunista fulminante causada por fungos saprófitos da ordem Mucorales. A apresentação clínica mais comum é a rinocerebral, que se inicia nos seios paranasais e pode progredir rapidamente para a órbita e o cérebro. Durante a pandemia de COVID-19, observou-se um aumento dramático de casos, associado ao uso de altas doses de corticoides e ao diabetes descompensado. O manejo bem-sucedido depende de um tripé terapêutico: 1) Diagnóstico precoce e início imediato de Anfotericina B lipossomal em doses elevadas; 2) Desbridamento cirúrgico urgente e repetido se necessário; 3) Controle rigoroso da condição subjacente (reversão da neutropenia ou correção da glicemia/acidose). O prognóstico permanece reservado, com altas taxas de mortalidade se o tratamento for retardado.
Os principais fatores de risco incluem diabetes mellitus descompensado (especialmente em cetoacidose diabética), neutropenia prolongada (em pacientes com neoplasias hematológicas), transplante de órgãos sólidos ou de medula óssea, uso prolongado de corticosteroides e sobrecarga de ferro (uso de deferoxamina).
Os fungos da ordem Mucorales apresentam resistência intrínseca à maioria dos antifúngicos disponíveis, incluindo o fluconazol e as equinocandinas. A Anfotericina B, preferencialmente em sua formulação lipossomal devido à menor nefrotoxicidade e melhor penetração tecidual, permanece como a base do tratamento farmacológico.
A mucormicose é caracterizada por uma intensa angioinvasão, o que causa trombose vascular e necrose tecidual extensa. Como o suprimento sanguíneo para a área infectada é interrompido, os antifúngicos sistêmicos não conseguem atingir o local da infecção em concentrações terapêuticas. Portanto, o desbridamento cirúrgico agressivo de todo o tecido necrótico é vital para a sobrevivência do paciente.
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