Fisiologia Ocular: Duções, Versões e Vergências na Prática

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2009

Enunciado

Com relação aos movimentos oculares, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) As duções são movimentos monoculares
  2. B) As versões são movimentos oculares conjugados, simultâneos e em direções opostas
  3. C) As vergências são movimentos disjuntivos, na mesma direção
  4. D) As versões devem ser testadas monocularmente

Pérola Clínica

Duções = Monoculares | Versões = Binoculares Conjugadas | Vergências = Disjuntivas.

Resumo-Chave

O exame da motilidade ocular começa com as versões (binocular) para detectar desvios e segue para as duções (monocular) para diferenciar paralisias de restrições.

Contexto Educacional

A motilidade ocular extrínseca é coordenada por seis músculos em cada olho, controlados pelos nervos cranianos III, IV e VI. O entendimento da fisiologia desses movimentos é o pilar para o diagnóstico de estrabismos e neuropatias cranianas. As duções avaliam a força muscular individual, enquanto as versões avaliam o equilíbrio binocular. Clinicamente, a aplicação das leis de Sherrington (inervação recíproca no mesmo olho) e Hering (inervação igual para ambos os olhos) permite ao oftalmologista localizar lesões neurológicas ou restrições mecânicas (como na Oftalmopatia de Graves ou fraturas de órbita). O exame sistemático das nove posições do olhar é mandatório em qualquer avaliação oftalmológica completa ou neurológica.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença clínica entre testar versões e duções?

O exame da motilidade ocular deve sempre iniciar pelas versões, que são movimentos binoculares conjugados, ou seja, os olhos movem-se simultaneamente na mesma direção (ex: dextroversão). Isso permite avaliar a coordenação entre os músculos sinergistas de ambos os olhos, seguindo a Lei de Hering. Se for detectada uma limitação de movimento em uma das posições do olhar, o examinador deve realizar o teste das duções, que é o movimento monocular (com o outro olho ocluído). Se a limitação persistir na dução, sugere-se uma paralisia ou restrição mecânica. Se a movimentação for normal na dução, mas limitada na versão, o problema pode estar na inervação conjugada.

O que diz a Lei de Hering da inervação correspondente?

A Lei de Hering estabelece que, durante qualquer movimento ocular conjugado (versão), uma quantidade igual e simultânea de inervação é enviada aos músculos sinergistas de ambos os olhos (músculos 'yoke'). Por exemplo, ao olhar para a direita, o músculo reto lateral do olho direito e o músculo reto medial do olho esquerdo recebem o mesmo estímulo nervoso. Esta lei é fundamental para entender o estrabismo paralítico: se um músculo está paralisado, o esforço para mover esse olho gera uma hiperestimulação no músculo sinergista do olho sadio, resultando em um desvio secundário maior que o primário.

Como funcionam as vergências oculares?

As vergências são movimentos binoculares disjuntivos, o que significa que os olhos se movem simultaneamente em direções opostas para manter a fixação em um objeto que se aproxima ou se afasta. O exemplo mais comum é a convergência, onde ambos os olhos se movem em direção ao nariz para focar um objeto próximo. O oposto é a divergência. Esses movimentos são essenciais para a visão binocular única e estereopsia. Diferente das versões, que mantêm os eixos visuais paralelos, as vergências alteram o ângulo entre os eixos visuais para garantir que a imagem do objeto caia em pontos retinianos correspondentes (fóveas).

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