HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2023
Mulher, 20 anos de idade, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento duas horas após episódio de crise tônico-clônica generalizada. Refere ser o segundo episódio, tendo o primeiro ocorrido há dois meses. Nega comorbidades, trauma, uso de álcool, tabaco ou drogas ilícitas. Faz uso apenas de contraceptivo oral. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, sinais vitais estáveis. Exame segmentar e neurológico sem achados. Realizada tomografia computadorizada de crânio sem alterações.Diante do caso clínico, com relação ao diagnóstico mais provável, pode-se afirmar:
Epilepsia: risco de Morte Súbita Inesperada (SUDEP) por apneia/arritmia, mesmo em jovens.
A Morte Súbita Inesperada na Epilepsia (SUDEP) é uma complicação rara, mas grave, que pode ocorrer durante ou após uma crise tônico-clônica generalizada, sendo a principal causa de morte relacionada à epilepsia.
A epilepsia é uma doença neurológica crônica caracterizada pela predisposição a gerar crises epilépticas não provocadas. As crises tônico-clônicas generalizadas são as mais conhecidas e envolvem perda de consciência, rigidez muscular (fase tônica) e contrações rítmicas (fase clônica). Embora muitas crises sejam autolimitadas, a epilepsia não é uma condição benigna e pode ter implicações significativas na qualidade de vida e na mortalidade. Uma das complicações mais graves e subestimadas da epilepsia é a Morte Súbita Inesperada na Epilepsia (SUDEP). A SUDEP é definida como a morte súbita e inesperada de um indivíduo com epilepsia, não traumática e não por afogamento, na ausência de status epilepticus, onde a autópsia não revela uma causa estrutural ou toxicológica da morte. Acredita-se que a SUDEP seja multifatorial, envolvendo disfunções respiratórias (apneia pós-ictal), cardíacas (arritmias) e cerebrais (depressão cortical generalizada) induzidas pela crise. O risco de SUDEP é maior em pacientes com crises tônico-clônicas generalizadas frequentes e mal controladas. O manejo da epilepsia visa o controle máximo das crises com a menor dose eficaz de medicamentos antiepilépticos, além de abordar fatores de risco modificáveis. A educação do paciente e da família sobre a SUDEP é crucial, assim como a adesão ao tratamento e a busca por um controle otimizado das crises para minimizar esse risco.
SUDEP é a morte súbita e inesperada de uma pessoa com epilepsia, não relacionada a trauma, afogamento ou status epilepticus, e sem uma causa patológica clara na autópsia. Geralmente ocorre durante ou logo após uma crise.
Os principais fatores de risco incluem crises tônico-clônicas generalizadas frequentes, início da epilepsia em idade jovem, uso de múltiplos medicamentos antiepilépticos e não adesão ao tratamento.
O controle ideal das crises, especialmente as tônico-clônicas generalizadas, é a principal medida. A adesão rigorosa ao tratamento medicamentoso e a monitorização noturna em casos de alto risco podem ajudar a reduzir a incidência.
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