USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2016
Paciente de 34 anos é encaminhada ao Pronto Atendimento de hospital de referência com quadro de insuficiência respiratória. Está no 35º dia do puerpério de parto cesárea devido a aumento da pressão arterial durante o trabalho de parto. A família informa que a paciente sempre foi saudável, não faz uso de medicamentos e não apresentou intercorrências durante o pré-natal. A paciente iniciou com quadro de cansaço e dispneia há 20 dias, com piora progressiva. Foi avaliada na Unidade Básica de Saúde que conduziu como depressão puerperal. O exame de admissão: PA: 80/50mmHg, FC: 130bpm, FR: 28 irpm, oximetria periférica de 84%; ausculta cardíaca sem sopros e ausculta pulmonar com crepitações na metade inferior de ambos os campos pulmonares.Paciente foi prontamente entubada e instalada ventilação mecância com saída de líquido róseo pela cânula. Eletrocardiograma: taquicardia sinusal sem alterações significativas da repolarização ventricular. Ecocardiograma: dilatação das quatro câmaras, ventrículo esquerdo globoso com hipocinesia de todos os segmentos e fração de ejeção 30%. Paciente evoluiu com pico hipertensivo e edema agudo de pulmão e apresentou parada cardiorrespiratória e fibrilação ventricular. Foi desfibrilada com 200 joules e procedidas manobras de reanimação por 18 minutos. Evoluiu com pupilas midriátidas e não reagentes, sendo constatado óbito. Em relação a este caso, trata-se de morte materna de causa:
Morte materna indireta = condição preexistente agravada pela gravidez/puerpério, não por complicação obstétrica direta.
A paciente apresentava sintomas de insuficiência cardíaca que se agravaram no puerpério, culminando em cardiomiopatia periparto (CMPP). A CMPP é uma condição cardíaca preexistente ou que se manifesta na gravidez/puerpério, mas não é uma complicação *diretamente* obstétrica (como hemorragia ou infecção pós-parto), classificando a morte como obstétrica indireta.
A morte materna é um indicador crítico de saúde pública e sua classificação correta é fundamental para a vigilância epidemiológica e a implementação de estratégias de prevenção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define morte materna como a morte de uma mulher durante a gravidez ou dentro de 42 dias após o término da gravidez, independentemente da duração e local da gestação, por qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por sua conduta, mas não por causas acidentais ou incidentais. As mortes maternas são classificadas em obstétricas diretas e indiretas. As causas obstétricas diretas são aquelas que resultam de complicações obstétricas da gravidez, parto e puerpério (ex: hemorragia, infecção, pré-eclâmpsia/eclâmpsia, embolia). As causas obstétricas indiretas, como no caso apresentado, são aquelas resultantes de doenças preexistentes ou que se desenvolveram durante a gravidez, não diretamente relacionadas a causas obstétricas, mas agravadas pelos efeitos fisiológicos da gestação. No caso clínico, a paciente desenvolveu um quadro de insuficiência cardíaca no puerpério, compatível com cardiomiopatia periparto (CMPP), uma condição cardíaca grave que se manifesta no final da gravidez ou nos primeiros 5 meses pós-parto em mulheres previamente saudáveis. Embora a gravidez seja um fator desencadeante ou agravante, a CMPP é uma doença cardíaca sistêmica, não uma complicação *diretamente* obstétrica, classificando a morte como obstétrica indireta. O reconhecimento e manejo precoce dessas condições são cruciais para reduzir a mortalidade materna.
Morte materna obstétrica indireta é aquela resultante de doenças preexistentes ou que se desenvolveram durante a gravidez, não diretamente relacionadas a causas obstétricas, mas agravadas pelos efeitos fisiológicos da gestação.
A cardiomiopatia periparto é uma doença cardíaca que se manifesta no final da gravidez ou nos primeiros meses pós-parto. Embora relacionada ao período gestacional, é uma doença sistêmica agravada pela gravidez, classificando a morte como obstétrica indireta.
Causas obstétricas diretas incluem complicações como hemorragia pós-parto, distúrbios hipertensivos da gravidez (pré-eclâmpsia/eclâmpsia), infecção puerperal, aborto inseguro e embolia obstétrica.
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