INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020
Paciente 24 anos, com quadro de dor abdominal intensa e sangramento vaginal em regular quantidade, procura PS de pequena cidade, sem posto de Instituto Médico-Legal. Apresenta-se descorada, pulso fino. Relatou ter ciclos menstruais irregulares. Usava como método contraceptivo preservativo esporádico e contava ter usado pílula do dia seguinte em duas ocasiões nos três últimos meses, mas cerca de 5 minutos após a entrada no PS, a paciente entrou em estado de choque e evoluiu para óbito. Em relação ao tipo de morte e ao que deve ser colocado no item I do modelo internacional de atestado de óbito como causas, é CORRETO afirmar que:
Morte materna = óbito gestacional ou até 42 dias pós-parto, por causa relacionada à gravidez. Gravidez ectópica rota → choque hipovolêmico.
A paciente apresenta quadro clínico clássico de gravidez ectópica rota (dor abdominal intensa, sangramento vaginal, sinais de choque hipovolêmico) e, por estar em idade fértil e com história de falha contraceptiva, a gravidez deve ser presumida. O óbito decorrente de uma complicação da gravidez, mesmo que não confirmada por ultrassom, configura morte materna. A causa imediata é o choque hipovolêmico, e a causa básica é a gravidez ectópica rota.
A morte materna é um indicador crucial da qualidade da assistência à saúde e um grave problema de saúde pública. É definida como o óbito de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, por qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por seu manejo. A gravidez ectópica, especialmente quando rota, é uma das principais causas de morte materna no primeiro trimestre, devido à hemorragia interna maciça. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em mulheres em idade fértil com dor abdominal, sangramento vaginal e instabilidade hemodinâmica, mesmo sem confirmação prévia de gravidez. O diagnóstico de gravidez ectópica rota é uma emergência ginecológica que exige reconhecimento rápido e intervenção cirúrgica imediata. Os sintomas clássicos incluem dor abdominal unilateral ou difusa, sangramento vaginal irregular e sinais de choque hipovolêmico. Fatores de risco incluem doença inflamatória pélvica, cirurgia tubária prévia, uso de DIU e história de gravidez ectópica anterior. A pílula do dia seguinte, embora eficaz, não é 100% garantida e não protege contra gestações futuras. O preenchimento correto do atestado de óbito é vital para as estatísticas de saúde e para a compreensão das causas de mortalidade. Em casos de morte materna, é essencial detalhar a sequência de eventos que levaram ao óbito, listando a causa imediata (ex: choque hipovolêmico), as causas intermediárias (ex: hemorragia interna) e a causa básica (ex: gravidez ectópica rota). A ausência de ultrassom prévio não exclui a gravidez como causa básica, dada a apresentação clínica. A atenção a esses detalhes é fundamental para residentes que atuarão em emergências e na atenção primária.
Morte materna é o óbito de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração e local da gravidez, por qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por seu manejo, mas não por causas acidentais ou incidentais.
Os sinais e sintomas incluem dor abdominal intensa e súbita, sangramento vaginal irregular, tontura, síncope e sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez, sudorese), devido à hemorragia interna.
No atestado de óbito, no item I, deve-se registrar a sequência de eventos que levaram à morte. No item A, a causa imediata (ex: choque hipovolêmico); no item B, a causa intermediária (ex: hemorragia interna); e no item C, a causa básica (ex: gravidez ectópica rota).
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