Morte Encefálica e Protocolo de Doação de Órgãos

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2016

Enunciado

Um paciente de quarenta e oito anos de idade, com traumatismo crânio encefálico grave decorrente de acidente automobilístico, foi internado em unidade de terapia intensiva desde o dia do acidente, ocorrido cinco dias antes. O paciente encontra-se estável hemodinamicamente, sem a necessidade de fármacos vasoativos, é mantido sedado com midazolan e fentanila em infusão contínua e está sob ventilação mecânica via tubo oro-traqueal. Os exames laboratoriais mostraram glicemia de 145 mg/dL sem distúrbio hidroeletrolítico ou ácido básico. Na última avaliação física, o paciente apresentou pupilas médio fixas; ausência de tosse e dos reflexos corneopalpebral, oculoencefálico e vestíbulo-ocular; temperatura axilar de 34,1 ºC; pressão arterial de 165 mmHg × 99 mmHg; e frequência cardíaca de 48 bpm. Depois de dez minutos de hiperoxigenação com FIO2 a 100%, o paciente foi submetido ao teste da apneia, que mostrou pCO2 de 58 mmHg após dez minutos desconectado do ventilador, sem incursão respiratória detectada. A escala de coma de Glasgow foi indicada como 3.Com relação ao caso clínico apresentado, julgue o item:O caso deve ser notificado à Central de Captação de Órgãos e Tecidos, por se tratar de um potencial doador.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Suspeita de Morte Encefálica (ME) → Notificação obrigatória imediata à Central de Transplantes.

Resumo-Chave

O diagnóstico de morte encefálica é clínico e requer a presença de coma não reativo, ausência de reflexos de tronco e teste de apneia positivo, em paciente com causa conhecida e sem fatores de confusão.

Contexto Educacional

O diagnóstico de Morte Encefálica (ME) é um processo rigoroso definido pela Resolução CFM nº 2.173/2017. Ele exige dois exames clínicos realizados por médicos diferentes, um teste de apneia e um exame complementar que comprove ausência de atividade elétrica, metabólica ou de fluxo sanguíneo cerebral. No caso clínico, embora a temperatura de 34,1°C impeça a finalização técnica do protocolo naquele momento (mínimo 35°C), a suspeita clínica de ME em paciente com Glasgow 3 e ausência de reflexos de tronco impõe a notificação imediata à Central de Transplantes. Essa conduta permite a busca ativa e o início do suporte adequado ao potencial doador, otimizando a viabilidade dos órgãos para transplante.

Perguntas Frequentes

Quais os pré-requisitos para iniciar o protocolo de morte encefálica?

Para iniciar o protocolo, o paciente deve apresentar uma lesão encefálica conhecida, irreversível e capaz de causar a morte. É necessário que não existam fatores de confusão, como distúrbios hidroeletrolíticos graves, distúrbios ácido-básicos severos, hipotermia (temperatura corporal deve estar > 35°C) ou uso de drogas sedativas/bloqueadores neuromusculares em doses que interfiram no exame.

Como é realizado o teste de apneia?

O teste de apneia visa demonstrar a ausência de movimentos respiratórios na presença de hipercapnia máxima (PaCO2 > 60 mmHg). O paciente é pré-oxigenado com 100% de O2, desconectado do ventilador (mantendo fluxo de O2) e observado por cerca de 10 minutos. Se não houver esforço respiratório e a gasometria final confirmar PaCO2 > 60 mmHg, o teste é considerado positivo (compatível com ME).

A notificação à Central de Transplantes é obrigatória?

Sim, de acordo com a legislação brasileira (Lei 9.434/97 e Decreto 9.175/2017), a notificação de pacientes com diagnóstico clínico de morte encefálica é obrigatória e deve ser feita imediatamente à Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) regional, independentemente da decisão da família sobre a doação.

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