Morte Encefálica: Critérios Diagnósticos e Exames Complementares

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2023

Enunciado

O termo “morte encefálica” pode ser considerado como definição legal de morte. É a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro. Considerando o enunciado, é INCORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) O Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que a morte encefálica se dividida em três fases: fase preparatória, fase de exame e fase de exame documental, além de ser feita em caráter de urgência.
  2. B) Para o diagnóstico adequado de morte encefálica, o paciente não deve estar em hipotermia profunda, visto que prejudica a realização do exame neurológico. Assim, recomenda-se o aquecimento do paciente em até 35° C.
  3. C) Na procura da causa mortis é mandatário que sejam excluídos fatores de confusão e de diagnóstico diferencial, assim, causas reversíveis de coma devem ser afastadas, em especial os distúrbios metabólicos.
  4. D) A cintilografia cerebral documenta ausência de enchimento das artérias intracranianas na entrada do crânio, em virtude da pressão sistólica não ser elevada o suficiente para forçar o sangue através da árvore vascular intracraniana.

Pérola Clínica

Morte encefálica = parada completa e irreversível de todas as funções cerebrais. Excluir hipotermia (<35°C) e fatores de confusão.

Resumo-Chave

O diagnóstico de morte encefálica exige a exclusão rigorosa de fatores de confusão, como hipotermia e distúrbios metabólicos, que podem mimetizar a condição. A cintilografia cerebral, quando utilizada, demonstra ausência de fluxo sanguíneo cerebral, não por pressão sistólica insuficiente, mas pela elevação da pressão intracraniana que impede a perfusão.

Contexto Educacional

A morte encefálica é a definição legal de morte no Brasil e em muitos países, caracterizada pela completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro, incluindo o tronco cerebral. Seu diagnóstico é de extrema importância, não apenas para a declaração de óbito, mas também para a possibilidade de doação de órgãos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece diretrizes rigorosas para o diagnóstico, que incluem a exclusão de fatores de confusão e a realização de exames clínicos e complementares. Para um diagnóstico preciso, é mandatória a exclusão de condições reversíveis que possam mimetizar a morte encefálica, como hipotermia profunda (temperatura corporal abaixo de 35°C), intoxicações por sedativos ou bloqueadores neuromusculares, e distúrbios metabólicos graves. O paciente deve estar normotérmico e sem influência de drogas depressoras do sistema nervoso central. O exame neurológico deve demonstrar coma aperceptivo, ausência de reflexos de tronco cerebral e apneia. Exames complementares, como a cintilografia cerebral, são utilizados para confirmar a ausência de fluxo sanguíneo cerebral, um dos pilares do diagnóstico. A cintilografia, ao não mostrar enchimento das artérias intracranianas, evidencia a parada circulatória cerebral, que ocorre devido à elevação da pressão intracraniana acima da pressão arterial média, impedindo a perfusão. A correta aplicação desses critérios é fundamental para evitar erros diagnósticos e garantir a segurança jurídica e ética do processo.

Perguntas Frequentes

Quais são as fases do diagnóstico de morte encefálica segundo o CFM?

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece fases preparatória, de exame clínico e de exames complementares, além da fase de exame documental, com rigorosos critérios para confirmação da morte encefálica.

Por que a hipotermia deve ser corrigida antes do diagnóstico de morte encefálica?

A hipotermia profunda (temperatura corporal < 35°C) pode deprimir as funções neurológicas e mimetizar a morte encefálica, sendo crucial aquecer o paciente para uma avaliação neurológica fidedigna.

Como a cintilografia cerebral auxilia no diagnóstico de morte encefálica?

A cintilografia cerebral documenta a ausência de fluxo sanguíneo para o cérebro, um critério confirmatório de morte encefálica, indicando a parada irreversível da circulação cerebral.

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