Manejo do Doador em Morte Encefálica para Transplante Cardíaco

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

O médico de plantão no PSM de um HU acaba de finalizar um protocolo de morte encefálica. Após alguns minutos, ele é informado que o paciente é um potencial candidato a doação de coração.Segundo as recomendações da 3ª Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco e cuidados ao Doador, considere as afirmativas a seguir.I. Não está indicada a administração de metilprednisolona por via intravenosa de rotina.II. Manter Pressão Venosa Central (PVC) entre 6-12 mmHg.III. Controle da hipotermia, com uso de colchão térmico; fluidos endovenosos aquecidos à temperatura ao redor de 26 e 28 ºC e pelo aquecimento do ar inspirado do ventilador (32 e 35 ºC).IV. Corrigir alterações metabólicas e hematócrito: distúrbios eletrolíticos e acidobásicos; hiperglicemia; corrigir anemia com concentrado de hemácias (ideal hamatocrito > 30% e hemoglobina > 10 g/dL).Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Pérola Clínica

Manejo doador ME: PVC 6-12, controle hipotermia (32-35°C), corrigir metabólicos/anemia (Hb>10, Ht>30%), metilprednisolona NÃO é rotina.

Resumo-Chave

O manejo do doador em morte encefálica para transplante cardíaco visa manter a estabilidade hemodinâmica e metabólica, otimizando a função dos órgãos. Isso inclui controle rigoroso da PVC, temperatura e correção de distúrbios eletrolíticos e anemia.

Contexto Educacional

O manejo do doador em morte encefálica é um processo complexo e crítico para o sucesso do transplante de órgãos. Após a confirmação da morte encefálica, o foco se volta para a manutenção da estabilidade fisiológica do doador, visando preservar a viabilidade e função dos órgãos a serem doados. As diretrizes brasileiras de transplante cardíaco fornecem recomendações específicas para otimizar o doador. Entre as medidas essenciais, destacam-se o controle hemodinâmico, com manutenção da Pressão Venosa Central (PVC) entre 6-12 mmHg para otimizar a pré-carga cardíaca e a perfusão dos órgãos. O controle da temperatura é vital, pois a hipotermia pode levar a arritmias e disfunção orgânica; a temperatura corporal deve ser mantida entre 32 e 35 ºC, utilizando colchão térmico e fluidos aquecidos. A correção de distúrbios metabólicos e hematológicos é igualmente importante. Isso inclui o manejo de distúrbios eletrolíticos, acidobásicos e da hiperglicemia. A anemia deve ser corrigida com concentrado de hemácias para manter um hematócrito > 30% e hemoglobina > 10 g/dL, garantindo adequada oxigenação tecidual. Por outro lado, a administração rotineira de metilprednisolona intravenosa não é recomendada pelas diretrizes atuais, sendo reservada para situações específicas de instabilidade hemodinâmica refratária.

Perguntas Frequentes

Quais são os objetivos do manejo do doador em morte encefálica?

Os objetivos são manter a estabilidade hemodinâmica, metabólica e hormonal do doador, otimizar a perfusão e oxigenação dos órgãos, e prevenir complicações que possam comprometer a viabilidade dos órgãos para transplante.

Qual a importância do controle da temperatura e da PVC no doador?

O controle da hipotermia é crucial para evitar arritmias e disfunção de órgãos; a temperatura alvo é entre 32-35°C. Manter a PVC entre 6-12 mmHg otimiza a pré-carga cardíaca e a perfusão dos órgãos, evitando sobrecarga hídrica ou hipovolemia.

Por que a metilprednisolona não é indicada de rotina no doador em morte encefálica?

A metilprednisolona não é indicada de rotina porque estudos não demonstraram benefício consistente em todos os doadores. Seu uso é considerado em casos de instabilidade hemodinâmica refratária a outras medidas, para tentar modular a resposta inflamatória.

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