Morte Encefálica: Critérios Diagnósticos e Confirmação

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Lactente 1 ano e 5 meses de idade, apresentou sangramento de sistema nervoso central devido a má formação arteriovenosa e encontra-se em coma não perceptivo, sem reatividade supraespinhal e em apneia persistente há mais de 24 horas, na ausência de medicamentos sedativos. Os pais manifestaram o desejo realizar a doação dos órgãos do filho. Hoje foi realizado o primeiro exame clínico, sendo o mesmo compatível com coma não perceptível e ausência de função do tronco encefálico. Além do segundo exame clínico, os exames necessários para confirmação da morte encefálica são:

Alternativas

  1. A) um teste de apneia e dois exames complementares.
  2. B) dois testes de apneia e um exame complementar. 
  3. C) um teste de apneia e um exame complementar.
  4. D) dois testes de apneia.
  5. E) dois exames complementares com técnicas diferentes.

Pérola Clínica

Morte encefálica: 2 exames clínicos + 1 teste apneia + 1 exame complementar.

Resumo-Chave

A confirmação de morte encefálica em crianças exige a realização de dois exames clínicos que comprovem coma não perceptivo e ausência de reflexos de tronco encefálico, um teste de apneia positivo e um exame complementar que demonstre ausência de fluxo sanguíneo cerebral ou atividade elétrica.

Contexto Educacional

O diagnóstico de morte encefálica é um tema de extrema importância na medicina, com implicações éticas, legais e para a doação de órgãos. É definido pela perda irreversível de todas as funções do cérebro e do tronco encefálico. A compreensão dos critérios diagnósticos é fundamental para médicos de diversas especialidades, especialmente aqueles que atuam em terapia intensiva e emergência. No Brasil, a Resolução CFM nº 2.173/2017 estabelece os critérios para o diagnóstico de morte encefálica, que incluem a realização de dois exames clínicos por médicos diferentes, um teste de apneia e um exame complementar que demonstre a ausência de fluxo sanguíneo cerebral ou atividade elétrica. Em crianças, existem especificidades relacionadas à idade, como a necessidade de intervalos maiores entre os exames clínicos e a escolha dos exames complementares. A correta aplicação desses critérios é vital para evitar erros diagnósticos e garantir a segurança jurídica e ética do processo, especialmente quando há desejo de doação de órgãos. A falha em seguir o protocolo pode ter graves consequências, tanto para o paciente quanto para a equipe médica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios clínicos para o diagnóstico de morte encefálica?

Os critérios clínicos incluem coma não perceptivo, ausência de reatividade supraespinhal e ausência de todos os reflexos de tronco encefálico, além de apneia persistente.

Qual a importância do teste de apneia na confirmação da morte encefálica?

O teste de apneia é crucial para demonstrar a ausência de drive respiratório central, confirmando a falha do centro respiratório no tronco encefálico.

Quais exames complementares podem ser utilizados para confirmar a morte encefálica?

Exames complementares incluem eletroencefalograma (EEG) para ausência de atividade elétrica cerebral, angiografia cerebral, Doppler transcraniano ou cintilografia cerebral para ausência de fluxo sanguíneo cerebral.

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