Morte Encefálica: Pré-requisitos e Fatores Impeditivos

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem 31a, recebeu golpe de estrangulamento (“mata leão”) durante uma briga, até apresentar parada cardiorrespiratória (PCR). O atendimento pré- hospitalar realiza aquisição de uma via aérea definitiva e um acesso venoso, e inicia manobras de reanimação cardiopulmonar cerebral, obtendo retorno dos pulsos centrais. O tempo da PCR foi de 8 minutos. É levado a um hospital terciário, onde após 20 horas de Unidade de Terapia Intensiva, sob cuidados clínicos e ventilação mecânica evoluiu com: Escala de Glasgow= 3, sem sedação, pupilas midriáticas sem reação ao estímulo luminoso, T= 35,8°C, PA média= 68mmHg. Sódio sérico= 148mEq/L. OS PRÉ-REQUISITOS QUE IMPEDEM O INÍCIO DO PROTOCOLO DE MORTE ENCEFÁLICA SÃO

Alternativas

  1. A) Sódio sérico e pressão arterial média.
  2. B) Tempo de tratamento e observação.
  3. C) Temperatura axilar e tempo de PCR.
  4. D) Pressão arterial média e temperatura axilar.

Pérola Clínica

Morte Encefálica: excluir hipotermia (<35°C), hipotensão grave, distúrbios metabólicos e sedação; tempo de observação mínimo.

Resumo-Chave

Para iniciar o protocolo de Morte Encefálica, é fundamental que o paciente esteja hemodinamicamente estável, normotérmico (temperatura >35°C), sem distúrbios metabólicos graves e livre de sedativos ou bloqueadores neuromusculares. Além disso, é necessário um tempo de observação mínimo, que pode ser maior em casos de lesão anóxica cerebral (pós-PCR), para garantir a irreversibilidade do quadro.

Contexto Educacional

O diagnóstico de Morte Encefálica (ME) é um processo complexo e rigoroso, com implicações éticas, legais e clínicas significativas, especialmente para a doação de órgãos. Para iniciar o protocolo de ME, é imperativo que uma série de pré-requisitos sejam atendidos, visando garantir a irreversibilidade da lesão cerebral e a exclusão de qualquer fator confundidor que possa simular a ausência de função encefálica. Entre os fatores mais críticos que impedem o início do protocolo estão a hipotermia (temperatura corporal central inferior a 35°C), a hipotensão grave (que compromete a perfusão cerebral e pode levar a uma avaliação neurológica imprecisa), distúrbios metabólicos e eletrolíticos graves (como hiponatremia ou hipernatremia extremas, hipoglicemia) e a presença de sedativos ou bloqueadores neuromusculares que possam mascarar a atividade neurológica. O paciente deve estar hemodinamicamente estável e sem sedação para uma avaliação fidedigna. Além disso, o tempo de observação é um pré-requisito crucial. Em casos de lesão encefálica anóxica (como após uma parada cardiorrespiratória), o tempo mínimo de observação antes de iniciar os testes de ME é geralmente estendido (frequentemente 24 horas ou mais, dependendo da idade e do protocolo local), para permitir a resolução de potenciais efeitos de drogas, edema cerebral e para garantir que o quadro é realmente irreversível. A falha em cumprir qualquer um desses pré-requisitos pode invalidar o diagnóstico de ME e ter sérias consequências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais pré-requisitos para iniciar o protocolo de Morte Encefálica?

Os principais pré-requisitos incluem a presença de lesão encefálica de causa conhecida e irreversível, ausência de fatores reversíveis que possam confundir o diagnóstico (como hipotermia, hipotensão grave, distúrbios metabólicos ou uso de sedativos) e um tempo de observação mínimo.

Por que o tempo de observação é um fator impeditivo em casos de lesão anóxica cerebral?

Em lesões anóxicas (pós-PCR), o tempo de observação mínimo é geralmente maior (24 horas ou mais, dependendo do protocolo) para permitir a resolução de edema cerebral e garantir que não haja potencial de recuperação neurológica, além de assegurar a estabilidade hemodinâmica e metabólica.

Quais valores de temperatura e pressão arterial são considerados impeditivos para o diagnóstico de Morte Encefálica?

Hipotermia (temperatura central < 35°C) e hipotensão grave (pressão arterial sistólica < 90 mmHg ou pressão arterial média < 65 mmHg, ou necessidade de vasopressores em doses elevadas) são fatores que impedem o início do protocolo, pois podem mimetizar a ausência de reflexos e atividade cerebral.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo