UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021
12 horas após admissão no hospital, é aberto protocolo de morte encefálica em paciente jovem vítima de TCE grave. Qual das características a seguir impossibilitaria, momentaneamente, o seguimento do protocolo para efetivar o diagnóstico?
Hipotermia (<35°C), hipotensão grave, intoxicação ou distúrbios metabólicos severos impedem diagnóstico de morte encefálica.
A hipotermia é uma condição que pode mimetizar a morte encefálica, suprimindo reflexos do tronco cerebral e a atividade cerebral. Por isso, a temperatura corporal deve ser normalizada (>35°C) antes de prosseguir com o protocolo diagnóstico, garantindo que a ausência de reflexos não seja induzida por essa condição reversível.
O diagnóstico de morte encefálica (ME) é um processo complexo e de extrema importância, com implicações éticas, legais e clínicas significativas, especialmente para a doação de órgãos. Em pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico (TCE) grave, a suspeita de ME é comum, e o protocolo deve ser seguido rigorosamente. Para que o protocolo de ME seja iniciado e concluído, é fundamental que certas condições reversíveis que podem mimetizar a ausência de função cerebral estejam ausentes ou tenham sido corrigidas. Entre essas condições, destacam-se a hipotermia (temperatura corporal central < 35°C), hipotensão arterial grave, distúrbios metabólicos severos (como hiponatremia ou hipernatremia extremas, hipoglicemia) e a presença de drogas depressoras do sistema nervoso central (SNC) em níveis tóxicos. A hipotermia, em particular, é uma condição que pode suprimir os reflexos do tronco cerebral e a atividade cortical, levando a um quadro que simula a ME. Portanto, a normotermia (temperatura > 35°C) é um pré-requisito indispensável para a realização dos testes clínicos e exames complementares que compõem o protocolo de diagnóstico de morte encefálica. A correção dessas condições garante que a ausência de função cerebral seja de fato irreversível e não um efeito temporário de fatores externos.
Para iniciar o protocolo, o paciente deve apresentar coma aperceptivo, ausência de reflexos de tronco cerebral e apneia, além de ter uma causa conhecida e irreversível da lesão cerebral, e estar hemodinamicamente estável, normotérmico e sem uso de drogas depressoras do SNC.
A hipotermia (temperatura corporal central < 35°C) pode suprimir a atividade cerebral e os reflexos do tronco cerebral, mimetizando a morte encefálica. É crucial que o paciente esteja normotérmico para que a ausência de reflexos seja atribuída à lesão cerebral irreversível e não à temperatura.
Exames complementares como eletroencefalograma (EEG), angiografia cerebral (convencional ou por TC), Doppler transcraniano e cintilografia cerebral podem ser usados para demonstrar a ausência de atividade elétrica cerebral ou de fluxo sanguíneo cerebral, confirmando o diagnóstico.
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