Morte Encefálica: Critérios e Início do Protocolo Diagnóstico

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

Em relação ao atendimento inicial do paciente em suspeita de morte encefálica, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Paciente admitido em coma aperceptivo, com pupilas midriáticas e sem reflexo corneano deve ter protocolo de morte encefálico nas primeiras horas.
  2. B) Paciente com história de parada cardíaca, revertida no pré-hospitalar, admitido em Glasgow 3 e sem drive respiratório. Deve-se descartar síndrome coronariana aguda com eletrocardiograma em 10 min, e logo iniciar protocolo de morte encefálica.
  3. C) Paciente em coma aperceptivo, com causa de coma definido por Hemorragia Subaracnoide Fisher IV, após 6 horas de atendimento, deve ter protocolo de morte encefálica iniciado.
  4. D) Paciente em coma aperceptivo, com causa de coma definido por sangramento e edema cerebral difusos após trauma cranioencefálico grave, deve ter os cuidados estabelecidos nas primeiras horas, com abordagem e preparo da família sobre doação de órgãos.

Pérola Clínica

Início do protocolo de morte encefálica → após exclusão de causas reversíveis e tempo de observação mínimo, conforme etiologia do coma.

Resumo-Chave

O protocolo de morte encefálica só pode ser iniciado após a exclusão de todas as causas reversíveis de coma e hipotermia, e após um período de observação adequado. A alternativa C está correta porque, após 6 horas de atendimento e com a causa do coma definida (HSA Fisher IV), é razoável iniciar o protocolo, desde que as condições pré-requisitos sejam atendidas.

Contexto Educacional

O diagnóstico de morte encefálica é um tema de extrema importância na medicina intensiva e na neurologia, com implicações éticas, legais e para a doação de órgãos. Ele é definido pela perda irreversível e permanente de todas as funções do tronco encefálico e do cérebro. O protocolo de diagnóstico é rigoroso e deve seguir diretrizes específicas para evitar erros. Para iniciar o protocolo, é fundamental que a causa do coma seja conhecida e irreversível, e que fatores confundidores como hipotermia (temperatura central < 35°C), hipotensão arterial grave, intoxicação exógena (sedativos, relaxantes musculares) ou distúrbios metabólicos severos sejam excluídos ou corrigidos. Um período de observação é necessário para garantir a irreversibilidade do quadro. O diagnóstico clínico baseia-se na ausência de coma aperceptivo, ausência de reflexos de tronco encefálico (pupilar, corneano, óculo-cefálico, óculo-vestibular, de tosse e de vômito) e ausência de drive respiratório (teste de apneia). Dois exames clínicos realizados por médicos diferentes e um exame complementar (quando necessário ou exigido por protocolo) confirmam o diagnóstico. A comunicação com a família sobre o diagnóstico e a possibilidade de doação de órgãos é uma parte sensível e crucial do processo.

Perguntas Frequentes

Quais são os pré-requisitos para iniciar o protocolo de morte encefálica?

Os pré-requisitos incluem a presença de lesão cerebral irreversível e conhecida, coma aperceptivo, ausência de hipotermia, ausência de hipotensão arterial grave e exclusão de intoxicação exógena ou distúrbios metabólicos graves.

Qual o tempo mínimo de observação antes de iniciar o protocolo de morte encefálica?

O tempo mínimo de observação varia conforme a idade e a etiologia da lesão cerebral. Em adultos, geralmente são 6 horas para lesões destrutivas e 24 horas para lesões anóxicas/isquêmicas, após a exclusão de fatores confundidores.

Quais exames complementares podem ser usados no diagnóstico de morte encefálica?

Exames como eletroencefalograma (EEG), doppler transcraniano, angiografia cerebral ou cintilografia cerebral podem ser utilizados para confirmar a ausência de fluxo sanguíneo cerebral ou atividade elétrica, embora o diagnóstico seja primariamente clínico.

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