CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020
Em relação ao atendimento inicial do paciente em suspeita de morte encefálica, assinale a alternativa CORRETA:
Início do protocolo de morte encefálica → após exclusão de causas reversíveis e tempo de observação mínimo, conforme etiologia do coma.
O protocolo de morte encefálica só pode ser iniciado após a exclusão de todas as causas reversíveis de coma e hipotermia, e após um período de observação adequado. A alternativa C está correta porque, após 6 horas de atendimento e com a causa do coma definida (HSA Fisher IV), é razoável iniciar o protocolo, desde que as condições pré-requisitos sejam atendidas.
O diagnóstico de morte encefálica é um tema de extrema importância na medicina intensiva e na neurologia, com implicações éticas, legais e para a doação de órgãos. Ele é definido pela perda irreversível e permanente de todas as funções do tronco encefálico e do cérebro. O protocolo de diagnóstico é rigoroso e deve seguir diretrizes específicas para evitar erros. Para iniciar o protocolo, é fundamental que a causa do coma seja conhecida e irreversível, e que fatores confundidores como hipotermia (temperatura central < 35°C), hipotensão arterial grave, intoxicação exógena (sedativos, relaxantes musculares) ou distúrbios metabólicos severos sejam excluídos ou corrigidos. Um período de observação é necessário para garantir a irreversibilidade do quadro. O diagnóstico clínico baseia-se na ausência de coma aperceptivo, ausência de reflexos de tronco encefálico (pupilar, corneano, óculo-cefálico, óculo-vestibular, de tosse e de vômito) e ausência de drive respiratório (teste de apneia). Dois exames clínicos realizados por médicos diferentes e um exame complementar (quando necessário ou exigido por protocolo) confirmam o diagnóstico. A comunicação com a família sobre o diagnóstico e a possibilidade de doação de órgãos é uma parte sensível e crucial do processo.
Os pré-requisitos incluem a presença de lesão cerebral irreversível e conhecida, coma aperceptivo, ausência de hipotermia, ausência de hipotensão arterial grave e exclusão de intoxicação exógena ou distúrbios metabólicos graves.
O tempo mínimo de observação varia conforme a idade e a etiologia da lesão cerebral. Em adultos, geralmente são 6 horas para lesões destrutivas e 24 horas para lesões anóxicas/isquêmicas, após a exclusão de fatores confundidores.
Exames como eletroencefalograma (EEG), doppler transcraniano, angiografia cerebral ou cintilografia cerebral podem ser utilizados para confirmar a ausência de fluxo sanguíneo cerebral ou atividade elétrica, embora o diagnóstico seja primariamente clínico.
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