HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019
Paciente jovem, vítima de trauma cranioencefálico, evolui com morte encefálica. Sua família não aceita que os aparelhos sejam desligados, pois creem que o paciente "ainda acorde". Ele permanece mantido em ventilação mecânica em um hospital com capacidade de leitos monitorados esgotada e o médico emergencialista acabou de receber novo paciente com complicações pulmonares, necessitando realizar intubação orotraqueal, porém não há mais leito de monitorização e ventilador mecânico disponíveis na emergência nem na UTI. Pode-se afirmar que:
Morte encefálica = cessação irreversível funções cerebrais. Médico pode desligar aparelhos, mesmo sem consentimento familiar.
O diagnóstico de morte encefálica, quando corretamente estabelecido por critérios clínicos e complementares, representa a morte legal do indivíduo. Nesses casos, a manutenção do suporte de vida é uma medida fútil e o médico tem respaldo legal para descontinuá-lo, independentemente da vontade familiar, visando a alocação ética de recursos e o respeito à dignidade do processo de morte.
A morte encefálica (ME) é um tema crucial na medicina intensiva e emergencial, representando a cessação irreversível de todas as funções do encéfalo. Seu diagnóstico correto é fundamental não apenas para a declaração de óbito, mas também para a tomada de decisões éticas e legais sobre a manutenção do suporte de vida e a possibilidade de doação de órgãos. A incidência de ME tem aumentado com o avanço das técnicas de suporte intensivo, que permitem manter as funções orgânicas mesmo na ausência de função cerebral. O diagnóstico de ME é complexo e rigoroso, exigindo a observação de critérios clínicos (coma aperceptivo, ausência de reflexos de tronco e apneia) e a confirmação por exames complementares (como eletroencefalograma, doppler transcraniano ou angiografia cerebral), realizados por profissionais distintos e em intervalos de tempo específicos, conforme as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM). A compreensão desses critérios é vital para evitar erros diagnósticos e garantir a segurança jurídica e ética da equipe médica. A fisiopatologia subjacente geralmente envolve lesões cerebrais catastróficas, como trauma cranioencefálico grave, acidente vascular encefálico extenso ou anoxia cerebral prolongada. Uma vez confirmada a ME, o paciente é legalmente considerado morto. Nesse cenário, a manutenção do suporte de vida é considerada futilidade terapêutica. A Resolução CFM nº 2.173/2017 respalda o médico na decisão de descontinuar o suporte, mesmo diante da recusa familiar, pois a autonomia familiar não se sobrepõe à realidade biológica e legal da morte. Esse entendimento é crucial para a gestão de leitos em unidades de terapia intensiva, permitindo a alocação de recursos para pacientes com chances de recuperação, ao mesmo tempo em que se respeita o processo de morte e a dignidade do paciente.
O diagnóstico de morte encefálica no Brasil exige a presença de coma aperceptivo, ausência de reflexos de tronco encefálico e apneia, confirmados por dois exames clínicos realizados por médicos diferentes e um exame complementar que comprove a ausência de atividade encefálica (ex: EEG, angiografia cerebral).
Sim, uma vez que o diagnóstico de morte encefálica é estabelecido e confirmado de acordo com a legislação vigente (Resolução CFM nº 2.173/2017), o paciente é legalmente considerado falecido. O médico tem o respaldo legal e ético para descontinuar o suporte de vida, mesmo que a família não consinta, pois a manutenção é fútil e pode impedir o uso de recursos para outros pacientes.
A morte encefálica é a cessação irreversível de todas as funções do tronco encefálico e hemisférios cerebrais, caracterizando a morte do indivíduo. Já o estado vegetativo persistente é uma condição em que o paciente mantém ciclos de sono-vigília e funções autonômicas, mas sem consciência ou interação com o ambiente, não sendo considerado legalmente morto.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo