Morte Encefálica: Fatores que Contraindicam o Protocolo

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 25a, vítima de acidente automobilístico, com trauma cranioencefálico grave é trazida ao Pronto Socorro com colar cervical, prancha rígida, entubação endotraqueal e acesso venoso. Tomografia computadorizada realizada na admissão: presença de hematoma subdural extenso com desvio das estruturas da linha média maior que 5mm; fratura do corpo vertebral de C3 com desalinhamento; demais segmentos corpóreos sem alterações. Foi submetida ao procedimento neurocirúrgico e encaminhada para Unidade de Terapia Intensiva. No terceiro dia pós operatório, apresenta pupilas midriáticas não fotorreagentes, mantida em ventilação mecânica (oximetria de pulso=98%); PAM=86mmHg; FC=62bpm em uso de droga vasoativa. Exames laboratoriais dentro dos parâmetros de normalidade, culturas negativas. O FATOR QUE CONTRAINDICA O INÍCIO DO PROTOCOLO DE MORTE ENCEFÁLICA, NESTE CASO, É:

Alternativas

Pérola Clínica

Iniciar protocolo de morte encefálica exige exclusão de fatores confundidores como sedação, bloqueio neuromuscular, hipotermia e distúrbios metabólicos graves.

Resumo-Chave

Antes de iniciar o protocolo de morte encefálica, é mandatório excluir a presença de fatores confundidores que possam mimetizar a ausência de reflexos de tronco encefálico, como a influência de drogas sedativas, analgésicas ou bloqueadores neuromusculares, que são comuns em pacientes em UTI pós-neurocirurgia.

Contexto Educacional

O diagnóstico de morte encefálica é um processo complexo e crítico, com implicações éticas, legais e para a doação de órgãos. É definido pela perda irreversível de todas as funções do tronco encefálico e do córtex cerebral. Residentes em terapia intensiva e neurologia devem dominar os critérios e, especialmente, as contraindicações para o início do protocolo, a fim de evitar erros diagnósticos. Os critérios para o diagnóstico de morte encefálica incluem coma aperceptivo, ausência de reflexos de tronco encefálico (pupilar, corneano, oculocefálico, oculovestibular, de tosse e de vômito) e apneia. No entanto, antes de realizar os testes clínicos, é imperativo que o paciente esteja em condições ideais, sem fatores confundidores que possam mascarar a função neurológica residual. Os fatores que contraindicam o início do protocolo incluem hipotermia (temperatura central < 35°C), hipotensão grave não corrigida, distúrbios metabólicos e endócrinos severos (como hipoglicemia ou desequilíbrios eletrolíticos graves) e, mais comumente em pacientes de UTI, a presença de drogas depressoras do SNC (sedativos, analgésicos, álcool) ou bloqueadores neuromusculares. A eliminação dessas substâncias deve ser confirmada antes dos testes, garantindo a validade do diagnóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que devem ser excluídos antes de iniciar o protocolo de morte encefálica?

Antes de iniciar o protocolo de morte encefálica, é fundamental excluir a presença de hipotermia (temperatura corporal < 35°C), hipotensão grave não corrigida, distúrbios metabólicos e endócrinos severos, e, crucialmente, a influência de drogas depressoras do sistema nervoso central (sedativos, analgésicos) ou bloqueadores neuromusculares.

Por que a sedação é uma contraindicação para o início do protocolo de morte encefálica?

A sedação profunda ou o uso de bloqueadores neuromusculares podem suprimir os reflexos de tronco encefálico e a resposta à dor, mimetizando a morte encefálica. É imprescindível que o paciente esteja livre da influência dessas drogas para que os testes sejam válidos e confiáveis.

Qual a importância da estabilidade hemodinâmica no protocolo de morte encefálica?

A hipotensão grave pode levar à isquemia cerebral e comprometer a função do tronco encefálico, confundindo o diagnóstico. A estabilidade hemodinâmica adequada é necessária para garantir que a ausência de reflexos não seja secundária a um choque ou perfusão cerebral insuficiente.

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