Morte Encefálica: Critérios Diagnósticos e Teste da Apneia

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente sexo masculino, 25 anos, vítima de acidente de moto versus auto, com traumatismo cranioencefálico grave, evolui com pupilas médio fixas e ausência de reflexos de tronco cerebral. Sobre morte encefálica (ME) e seu diagnóstico é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O intervalo de tempo entre os exames clínicos para o diagnóstico de ME em adultos é de 6 horas.
  2. B) O teste da apneia será considerado positivo para ME caso não existam quaisquer movimentos respiratórios e a pCO₂ acima de 55 mmHg.
  3. C) O eletroencefalograma não é uma opção de exame complementar para o diagnóstico de morte encefálica.
  4. D) Em caso de contraindicação para doação de órgãos ou negativa familiar, o suporte avançado de vida deve ser suspenso se a família concordar.

Pérola Clínica

Diagnóstico ME = Ausência reflexos tronco + apneia + exames complementares. Teste apneia positivo: pCO2 > 55 mmHg sem movimentos respiratórios.

Resumo-Chave

O diagnóstico de morte encefálica exige a ausência de todos os reflexos de tronco cerebral e o teste da apneia positivo. O teste da apneia é positivo quando não há movimentos respiratórios espontâneos e a pCO2 atinge um valor limiar (geralmente > 55 mmHg), confirmando a ausência de drive respiratório central.

Contexto Educacional

A morte encefálica (ME) é a cessação irreversível de todas as funções do encéfalo, incluindo o tronco cerebral. É legalmente e clinicamente equivalente à morte do indivíduo. O diagnóstico de ME é de extrema importância, pois permite a suspensão do suporte avançado de vida e a consideração para doação de órgãos, mas exige rigoroso cumprimento de protocolos para garantir a precisão e evitar erros. Os critérios diagnósticos de ME são estabelecidos por protocolos nacionais e internacionais e incluem três pilares: coma aperceptivo de causa conhecida e irreversível, ausência de todos os reflexos de tronco cerebral e ausência de movimentos respiratórios espontâneos (teste da apneia). É fundamental excluir condições reversíveis que possam mimetizar a ME, como hipotermia grave, intoxicações por sedativos ou bloqueadores neuromusculares. O teste da apneia é um componente crucial do diagnóstico. Ele confirma a ausência de drive respiratório central. Para ser considerado positivo, o paciente não deve apresentar movimentos respiratórios espontâneos durante um período de desconexão do ventilador, enquanto a pCO2 atinge um nível que normalmente estimularia a respiração (geralmente > 55 mmHg). Exames complementares, como EEG ou estudos de fluxo sanguíneo cerebral, são frequentemente exigidos para confirmar a ausência de atividade cerebral ou fluxo, dependendo da idade do paciente e das circunstâncias clínicas. O intervalo entre os exames clínicos varia conforme a idade e o protocolo local.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios clínicos para o diagnóstico de morte encefálica?

Os principais critérios clínicos incluem coma aperceptivo, ausência de reflexos de tronco cerebral (pupilar, corneano, óculo-cefálico, óculo-vestibular, de tosse, de vômito) e ausência de movimentos respiratórios espontâneos (teste da apneia).

Como é realizado e interpretado o teste da apneia para morte encefálica?

O teste da apneia é realizado após pré-oxigenação, desconectando o paciente do ventilador. É considerado positivo para morte encefálica se não houver movimentos respiratórios espontâneos e a pCO2 arterial atingir um valor acima de 55 mmHg (ou um aumento de 20 mmHg em relação ao basal), indicando ausência de drive respiratório central.

Quais exames complementares podem ser utilizados no diagnóstico de morte encefálica?

Exames complementares incluem eletroencefalograma (EEG), angiografia cerebral (convencional ou por TC/RM), Doppler transcraniano e cintilografia cerebral, que avaliam a ausência de atividade elétrica cerebral ou fluxo sanguíneo cerebral.

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