Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Paciente, 41 anos, vítima de politrauma com traumatismo crânioencefálico grave há 48h. Encontra-se em UTI, em ventilação mecânica. Nas últimas 24h: suspensão de sedação e analgesia com tempo > 5 meias-vidas, sem disfunção hepatorrenal limitante do “washout”. Temperatura central = 36,2°C, PAS = 110 mmHg (noradrenalina baixa), Na⁺ = 142, K⁺ = 4,3, glicemia = 128 mg/dL, pH = 7,38, PaO₂/FiO₂ = 280. Tomografia de crânio: edema difuso com hérnia subfalcina; sem hematoma expansivo. Exame neurológico atual: coma arresponsivo (GCS 3T), pupilas midriáticas sem fotorreação, ausência de reflexos corneanos, oculocefálico/oculovestibular, tosse e náusea; sem movimentos a dor. Para concluir o diagnóstico de morte encefálica no Brasil, assinale a alternativa que descreve corretamente o conjunto de requisitos e passos obrigatórios:
Morte Encefálica = 2 exames clínicos + Teste de Apneia (PaCO2 ≥ 55 mmHg) + 1 Exame Complementar.
O diagnóstico de morte encefálica no Brasil é rigorosamente regulamentado, exigindo a constatação de coma profundo, ausência de reflexos de tronco e apneia persistente, confirmados por exames clínicos e complementares.
A morte encefálica é a definição legal de óbito, caracterizada pela cessação irreversível de todas as funções do cérebro e do tronco encefálico. No Brasil, o protocolo é regido pela Resolução CFM nº 2.173/2017. Antes de iniciar o protocolo, é obrigatório que o paciente apresente uma lesão encefálica de causa conhecida e irreversível, esteja em coma arresponsivo (GCS 3), com temperatura corporal > 35°C e estabilidade hemodinâmica. O processo envolve dois exames clínicos com intervalo mínimo (1 hora para adultos), um teste de apneia que comprove a ausência de drive respiratório central e um exame complementar. A importância desse rigor reside na segurança jurídica e ética para a interrupção de suportes artificiais e para a viabilização da doação de órgãos, garantindo que não haja qualquer possibilidade de recuperação neurológica.
Devem ser realizados por dois médicos diferentes, especificamente capacitados, que não pertençam à equipe de remoção e transplante. Pelo menos um deles deve ser especialista em neurologia, neurocirurgia, medicina intensiva ou medicina de emergência (ou possuir experiência mínima comprovada).
O teste é considerado positivo (confirmando morte encefálica) quando não há movimentos respiratórios na presença de uma estimulação máxima do centro respiratório, definida por uma PaCO2 final igual ou superior a 55 mmHg, após pré-oxigenação adequada.
Os exames devem demonstrar ausência de perfusão sanguínea cerebral (ex: angiografia cerebral, doppler transcraniano, cintilografia) ou ausência de atividade elétrica (eletroencefalograma) ou ausência de atividade metabólica cerebral (PET-CT).
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