Mortalidade Materna e Atonia Uterina: Vigilância e Evitabilidade

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Marta, 28 anos, primigesta, evoluiu para óbito no terceiro dia de puerpério imediato após ter sido submetida a uma cesariana eletiva em um hospital de referência. A causa básica registrada na Declaração de Óbito (DO) foi "choque hipovolêmico secundário à atonia uterina". Seguindo o fluxo da Vigilância em Saúde, o caso foi encaminhado para análise pelo Comitê Municipal de Prevenção do Óbito Materno, Infantil e Fetal. Com base nas diretrizes de Vigilância do Óbito e na Lista de Causas de Mortes Evitáveis por Intervenções do Sistema Único de Saúde (SUS), assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A investigação do óbito materno pelo comitê municipal tem caráter prioritariamente punitivo e coercitivo sobre os profissionais envolvidos, visando identificar falhas individuais para aplicação de sanções administrativas imediatas pelos conselhos de classe.
  2. B) Óbitos decorrentes de causas obstétricas diretas, como a atonia uterina, são tecnicamente classificados como não evitáveis, pois representam complicações biológicas agudas e intrínsecas ao processo do parto que independem da qualidade da assistência.
  3. C) Por ter ocorrido após a alta da sala de parto e já no terceiro dia de puerpério, este óbito deixa de ser considerado morte materna para fins epidemiológicos, sendo reclassificado como óbito de mulher em idade fértil por causas inespecíficas.
  4. D) O óbito de Marta é classificado como evitável por intervenções de saúde, especificamente por meio de atenção adequada à mulher na gestação e no parto, visto que a atonia uterina possui protocolos de manejo preventivo e terapêutico estabelecidos.

Pérola Clínica

Atonia uterina = causa direta de morte materna evitável via protocolos de manejo ativo do 3º estágio.

Resumo-Chave

A maioria das mortes maternas por causas diretas, como hemorragia pós-parto, é evitável através de assistência qualificada e protocolos institucionais robustos.

Contexto Educacional

A mortalidade materna é um indicador sensível da qualidade da assistência à saúde e do desenvolvimento socioeconômico. A atonia uterina permanece como a principal causa de hemorragia pós-parto no mundo. O SUS utiliza a 'Lista de Causas de Mortes Evitáveis' para direcionar o planejamento em saúde, classificando óbitos por hemorragia como evitáveis por atenção adequada ao parto. A vigilância do óbito é uma estratégia fundamental para o monitoramento desses eventos, permitindo a identificação de gargalos assistenciais e a implementação de protocolos baseados em evidências, como o 'Código Vermelho' para hemorragia obstétrica.

Perguntas Frequentes

O que define morte materna para fins epidemiológicos?

É o óbito de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou do local da gravidez, devido a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais. No caso clínico, o óbito no terceiro dia de puerpério por atonia uterina enquadra-se perfeitamente nesta definição como uma causa obstétrica direta.

Por que a atonia uterina é considerada uma causa evitável?

A atonia uterina é classificada como evitável porque existem intervenções eficazes de prevenção e tratamento estabelecidas pelo SUS. A prevenção primária inclui o manejo ativo do terceiro estágio do parto com ocitocina. O tratamento envolve protocolos escalonados que incluem massagem uterina, drogas uterotônicas (ocitocina, metilergometrina, misoprostol), balão de tamponamento intrauterino e técnicas cirúrgicas, que, se aplicados oportunamente, evitam o choque hipovolêmico e o óbito.

Qual a função do Comitê Municipal de Prevenção do Óbito Materno?

O comitê tem caráter educativo, técnico e sigiloso, não sendo punitivo. Sua função é analisar as circunstâncias de cada óbito para identificar falhas na rede de atenção (desde o pré-natal até o puerpério), determinar a evitabilidade e propor recomendações aos gestores e serviços de saúde para evitar novas ocorrências. Ele busca transformar a análise do evento sentinela em melhorias nos processos de cuidado e políticas públicas de saúde da mulher.

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