PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2017
Você atende o senhor Marcos, de 55 anos, na unidade de saúde. Ele consulta porque deseja fazer exames de rotina. Marcos faz uso crônico de omeprazol 20 mg e carbonato de cálcio 500 mg ao dia, que iniciou por conta própria para melhorar seus ossos e para evitar dores de estômago. Iniciou também academia há 2 meses, não faz uso de álcool e parou de fumar há 10 anos. Ao examiná-lo verifica PA = 120/80 mmHg; IMC = 30kg/m2; circunferência abdominal 106 cm; ausculta cardíaca e pulmonar normais. Você então solicita os exames indicados para Marcos, além de orientá-lo sobre o risco do uso de medicamentos e sobre mudanças no estilo de vida, buscando um aumento na qualidade e na expectativa de vida de Marcos. Sobre o caso acima, analise a alternativa a seguir: Com base no caso clínico apresentado, analise a assertiva a seguir, marcando VCERTO para VERDADEIRO/CORRETO e ERRADO para FALSO/INCORRETO. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é considerada a principal causa de morte evitável no mundo.
Tabagismo > Obesidade como principal causa de morte evitável mundial.
Embora a obesidade seja um fator de risco crítico para múltiplas patologias, o tabagismo permanece como o principal alvo de intervenção para redução de mortalidade evitável globalmente.
A questão aborda um conceito clássico de epidemiologia e saúde pública. O senhor Marcos, no enunciado, apresenta um perfil de risco metabólico claro: IMC de 30 kg/m² (obesidade grau I) e circunferência abdominal aumentada (106 cm), o que caracteriza síndrome metabólica. No entanto, o examinador testa o conhecimento sobre as estatísticas globais da OMS. Historicamente, o tabagismo detém o título de maior vilão da saúde pública evitável. É fundamental que o médico residente saiba priorizar intervenções: cessação tabágica (que o paciente já realizou há 10 anos) e agora o manejo da obesidade e riscos associados. A obesidade é, de fato, uma epidemia e a principal causa de incapacidade e um dos maiores gastos em saúde, mas em termos de mortalidade bruta evitável, o tabaco ainda lidera as estatísticas mundiais.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo continua sendo a principal causa de morte evitável em todo o mundo. O uso do tabaco é responsável por milhões de mortes anuais devido a doenças cardiovasculares, diversos tipos de câncer (especialmente pulmão) e doenças respiratórias crônicas. Embora a obesidade seja um fator de risco crescente e extremamente relevante para a carga global de doenças, ela ainda ocupa o segundo lugar em termos de mortalidade direta evitável em escala global.
A distinção é epidemiológica. O tabagismo possui uma relação causal direta e robusta com uma gama maior de patologias letais imediatas e a longo prazo. A obesidade, embora aumente significativamente o risco de diabetes, hipertensão e câncer, muitas vezes atua como um fator intermediário. Além disso, as intervenções contra o tabagismo (como impostos e restrições de uso) mostraram um impacto mais direto na redução da mortalidade em curto prazo comparado às intervenções complexas necessárias para combater a obesidade.
O tabagismo é um fator de risco para 6 das 8 principais causas de morte no mundo. Ele não afeta apenas o fumante ativo, mas também o passivo, contribuindo para doenças em crianças e adultos não fumantes. O controle do tabaco é uma das estratégias mais custo-efetivas em saúde pública. A OMS promove o pacote MPOWER (monitoramento, proteção, oferta de ajuda, aviso sobre perigos, proibição de publicidade e aumento de impostos) como ferramenta essencial para reduzir essa mortalidade.
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