Mordedura por Primata: Manejo da Ferida e Profilaxia

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 62a, procura a Unidade de Pronto Atendimento devido a mordedura por primata há 8 horas. Antecedente pessoal: diabetes mellitus. Exame físico: antebraço direito: lesão em torno de 4 cm de extensão, sangrante. Realizada limpeza local e sorovacinação antirrábica. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Desbridamento da lesão e sutura com pontos Donati.
  2. B) Aproximação das bordas sem efeito hermético e curativo oclusivo.
  3. C) Irrigação suplementar com solução alcoólica de iodopovidona.
  4. D) Curativo oclusivo com antibiótico tópico, com troca em 7 dias.

Pérola Clínica

Mordedura de primata → Limpeza rigorosa + profilaxia antirrábica + sutura primária evitada (exceto face/estética).

Resumo-Chave

Mordeduras, especialmente as de animais, têm alto risco de infecção devido à flora bacteriana da boca do animal e ao trauma tecidual. A sutura primária deve ser evitada na maioria dos casos, especialmente em extremidades e em pacientes imunocomprometidos como diabéticos, para permitir a drenagem e reduzir o risco de infecção.

Contexto Educacional

Mordeduras por animais, especialmente por primatas, representam um desafio clínico devido ao alto risco de infecção e à necessidade de profilaxia antirrábica. A flora bacteriana da boca dos primatas é polimicrobiana e pode causar infecções graves. Além disso, a raiva é uma zoonose fatal, e a exposição a primatas silvestres exige avaliação cuidadosa e, frequentemente, profilaxia pós-exposição. O manejo inicial de uma ferida por mordedura inclui limpeza exaustiva com água e sabão, desbridamento de tecidos desvitalizados e avaliação da necessidade de profilaxia antitetânica e antirrábica. No caso de mordeduras por primatas, a sorovacinação antirrábica é geralmente indicada. A sutura primária da ferida é desaconselhada na maioria dos casos, especialmente em extremidades, feridas profundas ou em pacientes imunocomprometidos (como diabéticos), devido ao risco de infecção. A conduta preferencial é a aproximação das bordas sem fechamento hermético ou a cicatrização por segunda intenção, permitindo a drenagem e reduzindo o risco de abscesso e celulite. Antibioticoterapia profilática é frequentemente recomendada, com cobertura para germes aeróbios e anaeróbios. A avaliação do paciente diabético é crucial, pois eles têm maior risco de infecções e cicatrização comprometida.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da limpeza na mordedura por primata?

A limpeza rigorosa da ferida com água e sabão por pelo menos 15 minutos é crucial para remover saliva, sangue e detritos, reduzindo a carga viral e bacteriana e minimizando o risco de infecção e raiva.

Por que a sutura primária é geralmente contraindicada em mordeduras?

A sutura primária em feridas por mordedura é geralmente contraindicada devido ao alto risco de infecção, pois pode aprisionar bactérias e impedir a drenagem. A cicatrização por segunda intenção ou sutura primária atrasada são preferíveis.

Quais são as indicações para profilaxia antirrábica após mordedura por primata?

A profilaxia antirrábica (soro e vacina) é indicada para mordeduras de primatas, pois são considerados animais silvestres de risco. A decisão depende da espécie do animal, tipo de exposição e disponibilidade de observação.

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