UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Durante uma briga, um paciente foi mordido por seu irmão, acarretando perda de tecido no antebraço esquerdo. Após a limpeza, opta-se por iniciar antibioticoterapia devido à contaminação bucal. Nesse caso, a primeira escolha é:
Mordedura humana → Amoxicilina + Clavulanato (cobre aeróbios e anaeróbios, incluindo Eikenella).
Mordeduras humanas são altamente contaminadas por flora polimicrobiana. O clavulanato é essencial para cobrir produtores de beta-lactamase e a Eikenella corrodens.
O manejo de mordeduras humanas no pronto-socorro exige uma abordagem multifatorial. Além da limpeza vigorosa com soro fisiológico sob pressão e desbridamento de tecidos desvitalizados, é imperativo avaliar o status vacinal para tétano e considerar a profilaxia pós-exposição para vírus de transmissão sanguínea (Hepatite B e HIV), dependendo do status do agressor. A antibioticoterapia profilática ou terapêutica é indicada em quase todos os casos de mordedura humana devido ao alto risco de infecção. A Amoxicilina/Clavulanato é o padrão-ouro por seu espectro estendido. Em pacientes alérgicos à penicilina, alternativas como a combinação de Ciprofloxacino ou SMZ-TMP associados à Clindamicina podem ser consideradas para garantir a cobertura de aeróbios e anaeróbios.
A flora das mordeduras humanas é tipicamente polimicrobiana. Envolve tanto bactérias aeróbias quanto anaeróbias. Os patógenos mais comuns incluem Staphylococcus aureus, Streptococcus anginosus, espécies de Bacteroides e Fusobacterium. Um agente característico e de grande importância clínica é a Eikenella corrodens, um bacilo gram-negativo fastidioso que faz parte da flora oral normal.
Muitas bactérias da flora oral, incluindo estafilococos e anaeróbios, produzem enzimas beta-lactamases que inativam penicilinas simples. Além disso, a Eikenella corrodens apresenta resistência intrínseca ou adquirida a diversos antibióticos comuns, como clindamicina e cefalosporinas de primeira geração (ex: cefadroxila), tornando a combinação com inibidor de beta-lactamase necessária.
Como regra geral, feridas por mordedura humana são consideradas altamente contaminadas e não devem ser suturadas (fechamento por segunda intenção). Exceções podem ser feitas para feridas em face por razões estéticas, mas apenas após limpeza exaustiva, desbridamento e se o paciente for imunocompetente com baixo risco de infecção, sempre sob cobertura antibiótica.
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