Mordedura Humana: Manejo de Feridas Contaminadas

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020

Enunciado

Você está no pronto-socorro na UPA de sua cidade, quando chega um marido que foi mordido pela esposa durante uma briga e apresenta uma lesão corto contusa de 4 cm no membro superior esquerdo, próximo ao cotovelo. A lesão ocorreu há 40 minutos. Considerando o caso descrito, a conduta MAIS adequada é a de:

Alternativas

  1. A) Limpar com degermantes, prescrever antibiótico e suturar completamente a lesão.
  2. B) Limpar com solução iodada, prescrever antibiótico e suturar completamente a lesão.
  3. C) Limpar com SF 0,9%, prescrever antibiótico, aproximar somente a lesão para cicatrizar por segunda intenção.
  4. D) Limpar com SF 0,9%, não prescrever antibiótico pelo pouco tempo de trauma, aproximar somente a lesão para cicatrizar por segunda intenção.

Pérola Clínica

Mordedura humana → Limpeza rigorosa, ATB profilático, NÃO suturar primariamente (cicatrização por segunda intenção).

Resumo-Chave

Mordeduras humanas são consideradas feridas contaminadas e de alto risco de infecção. A conduta ideal inclui limpeza abundante, desbridamento, antibioticoprofilaxia e, geralmente, não sutura primária, permitindo cicatrização por segunda intenção ou sutura tardia.

Contexto Educacional

As mordeduras humanas são lesões comuns no pronto-socorro e representam um desafio clínico devido ao alto risco de infecção. A epidemiologia mostra que essas lesões são frequentemente polimicrobianas, envolvendo uma mistura de bactérias aeróbias e anaeróbias da flora oral, como Streptococcus, Staphylococcus, Eikenella corrodens e Fusobacterium. O reconhecimento da gravidade e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações sérias. A fisiopatologia da infecção em mordeduras humanas reside na inoculação direta de bactérias virulentas nos tecidos moles, podendo atingir estruturas mais profundas como tendões, articulações e ossos. Fatores como localização da ferida (mãos e pés têm maior risco), profundidade, tempo decorrido desde a lesão e comorbidades do paciente influenciam o risco de infecção. O diagnóstico é clínico, com a história de mordedura e exame da lesão. A conduta inicial envolve limpeza rigorosa da ferida com soro fisiológico 0,9%, desbridamento de tecidos desvitalizados e hemostasia. A antibioticoprofilaxia é fortemente recomendada para a maioria das mordeduras, especialmente as profundas, nas mãos, pés, face ou em pacientes imunocomprometidos, sendo a amoxicilina-clavulanato a droga de escolha. A sutura primária é geralmente contraindicada, optando-se pela cicatrização por segunda intenção ou sutura secundária tardia, para permitir a drenagem e reduzir o risco de infecção. A profilaxia antitetânica e avaliação para hepatite/HIV também devem ser consideradas.

Perguntas Frequentes

Por que as mordeduras humanas são consideradas de alto risco de infecção?

A boca humana abriga uma flora bacteriana polimicrobiana e virulenta, incluindo bactérias aeróbias e anaeróbias, que podem ser inoculadas profundamente nos tecidos durante a mordedura, levando a infecções graves como celulite, osteomielite e artrite séptica.

Qual a importância da não sutura primária em mordeduras humanas?

A não sutura primária (cicatrização por segunda intenção) permite a drenagem de exsudatos e reduz o ambiente anaeróbio, diminuindo o risco de proliferação bacteriana e infecção. A sutura pode 'selar' as bactérias dentro da ferida.

Qual antibiótico é recomendado para profilaxia em mordeduras humanas?

A amoxicilina-clavulanato é o antibiótico de primeira escolha para profilaxia em mordeduras humanas, devido à sua cobertura contra a maioria dos patógenos orais, incluindo Pasteurella multocida e anaeróbios. Em caso de alergia à penicilina, outras opções podem ser consideradas.

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