Mordedura de Cão na Orelha: Manejo de Ferida Complexa

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher 45 anos, do lar, vem para atendimento em uma unidade de pronto atendimento, com ferimento em orelha esquerda causada por mordedura de cão há cerca de 48 horas. Relata que não compareceu antes por estar sem acessibilidade a um serviço de saúde. Na figura em anexo nota-se secreção e exposição de cartilagem no leito da lesão.Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Curativos diários, antibioticoterapia e fechamento primário retardado.
  2. B) Curativo diários, antibioticoterapia e cicatrização por segunda intenção.
  3. C) Debridamento, sutura das bordas e antibioticoterapia.
  4. D) Referenciar o paciente para atendimento especializado hospitalar.

Pérola Clínica

Mordedura de cão com exposição de cartilagem e sinais de infecção (48h) → debridamento, ATB e sutura primária (se possível) para preservar estrutura.

Resumo-Chave

Ferimentos por mordedura de cão são frequentemente contaminados e podem evoluir para infecção. A presença de secreção e exposição de cartilagem indica infecção e complexidade. Nesses casos, o debridamento é essencial para remover tecido desvitalizado, seguido de antibioticoterapia e, se as condições locais permitirem, sutura para otimizar o resultado estético e funcional, especialmente em áreas como a orelha.

Contexto Educacional

Ferimentos por mordedura de cão são uma ocorrência comum em unidades de pronto atendimento e representam um desafio clínico devido ao alto risco de infecção e à complexidade das lesões, especialmente quando envolvem estruturas delicadas como a orelha. A epidemiologia mostra que a maioria das mordeduras é causada por cães conhecidos, e a infecção é a complicação mais frequente, com patógenos como Pasteurella multocida, Staphylococcus aureus e Streptococcus spp. A importância clínica reside na necessidade de prevenir infecções graves, preservar a função e a estética, e considerar a profilaxia para tétano e raiva. A fisiopatologia da infecção em mordeduras envolve a inoculação de bactérias da cavidade oral do animal na ferida, que pode ser profunda e com tecido desvitalizado. No caso de exposição de cartilagem, o risco de condrite (infecção da cartilagem) é elevado, o que pode levar à necrose e deformidade. A conduta inicial para uma ferida infectada, como a descrita, inclui o debridamento cirúrgico para remover tecido necrótico e reduzir a carga bacteriana. A antibioticoterapia é essencial e deve ser de amplo espectro, cobrindo os patógenos esperados. Embora feridas contaminadas geralmente sejam tratadas com fechamento por segunda intenção ou primário retardado, em áreas como a face e orelha, onde a estética e a função são cruciais, a sutura primária após debridamento e com cobertura antibiótica pode ser considerada para minimizar a deformidade, mesmo após 24-48 horas. O tratamento adequado visa a cicatrização sem complicações e a preservação da estrutura. O prognóstico é melhor quando o manejo é precoce e agressivo. Residentes devem estar aptos a avaliar a extensão da lesão, o risco de infecção, a necessidade de debridamento e a escolha da antibioticoterapia, além de considerar a profilaxia antitetânica e antirrábica conforme o status vacinal do paciente e do animal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos de uma mordedura de cão na orelha?

Os riscos incluem infecção bacteriana (comum), necrose da cartilagem (condrite), deformidade estética e funcional, e em casos raros, transmissão de raiva ou tétano. A infecção é a complicação mais imediata e frequente.

Por que o debridamento é crucial em feridas por mordedura com exposição de cartilagem?

O debridamento remove tecido desvitalizado e contaminado, reduzindo a carga bacteriana e o risco de infecção. Na cartilagem, é vital para remover tecido danificado e promover a cicatrização adequada, prevenindo condrite e deformidades.

Qual a antibioticoterapia recomendada para mordeduras de cão infectadas?

A antibioticoterapia deve cobrir bactérias aeróbias e anaeróbias, incluindo Pasteurella multocida e Staphylococcus aureus. Amoxicilina-clavulanato é frequentemente a escolha de primeira linha, ou clindamicina mais uma fluoroquinolona para alérgicos à penicilina.

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