Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2023
Escolar, sexo masculino, 6 anos de idade, sem comorbidades, apresenta ferimento em face após mordida de cachorro. Trata-se de animal doméstico da família, refere estar vacinado adequadamente. Mãe tirou fotografia do dia do acidente (imagem 1) há 3 dias, quando foi realizado primeiro atendimento médico, sendo realizada sutura e orientado apenas uso de analgésico (dipirona) se necessário. Hoje a criança retorna, pois mãe acha que houve piora da lesão, com edema e hiperemia palpebral, com muita dificuldade de abrir o olho (imagem 2), além de febre de até 38,7ºC há 1 dia. Ao verificar a caderneta de vacinação, nota-se que ele recebeu 5 doses da vacina DPT, sendo a última dose administrada aos 4 anos de idade. Frente a evolução clínica do paciente, e levando em consideração as orientações de profilaxia de tétano e de raiva humana preconizadas pelo Ministério da Saúde, a conduta indicada no caso é: Imagem 1: primeiro atendimento Imagem 2: três dia depois do acidente
Mordedura de cachorro em face com sinais de infecção (edema, hiperemia, febre) → internação, ATB (amoxicilina-clavulanato), profilaxia tétano adequada (5 doses DPT), observação animal para raiva.
A mordedura de cachorro em face, especialmente com sinais de infecção (celulite periorbitária, febre), exige internação e antibioticoterapia de amplo espectro (amoxicilina-clavulanato). A profilaxia do tétano está completa com 5 doses de DPT. Para raiva, a observação do animal por 10 dias é crucial, com esquema profilático se o animal adoecer ou morrer.
Mordeduras de animais, especialmente em crianças e na região da face, representam um desafio clínico devido ao risco de infecção, lesões estéticas e a necessidade de profilaxia para tétano e raiva. A face é uma área de alto risco devido à proximidade com estruturas vitais e à vascularização, que pode tanto favorecer a cicatrização quanto a disseminação de infecções. No caso apresentado, a presença de edema, hiperemia palpebral, dificuldade de abrir o olho e febre indica uma infecção secundária grave, provavelmente uma celulite periorbitária. Ferimentos por mordedura são polimicrobianos, com bactérias da flora oral do animal e da pele do paciente. A internação hospitalar é imperativa para monitoramento e administração de antibioticoterapia intravenosa. A amoxicilina com clavulanato é a escolha ideal, cobrindo Pasteurella multocida (comum em mordeduras) e outros patógenos. Em relação à profilaxia, o paciente com 5 doses de DPT está adequadamente imunizado contra o tétano, não necessitando de reforço. Para a raiva, a conduta para animal doméstico vacinado e com comportamento normal é a observação do animal por 10 dias. Se o animal apresentar sinais de raiva ou morrer, o esquema profilático completo (vacina e soro, dependendo da exposição) deve ser iniciado. A sutura inicial de ferimentos por mordedura, especialmente em face, é controversa devido ao risco de infecção, e a reavaliação precoce é fundamental.
A amoxicilina com clavulanato é o antibiótico de escolha para mordeduras de cachorro infectadas, pois cobre os principais patógenos aeróbios e anaeróbios, incluindo Pasteurella multocida e Staphylococcus aureus.
O reforço vacinal para tétano é necessário se o paciente tiver menos de 3 doses da vacina ou se a última dose tiver sido há mais de 5 anos para ferimentos graves ou mais de 10 anos para ferimentos leves. No caso, com 5 doses, não há necessidade de reforço.
Para animal doméstico vacinado e com comportamento normal, a conduta inicial é observar o animal por 10 dias. Se o animal adoecer ou morrer nesse período, inicia-se o esquema profilático com vacina antirrábica.
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