Mordedura de Cachorro: Profilaxia e Manejo de Feridas

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 35 anos, foi mordida pelo cachorro da vizinha e apresenta ferida única, profunda, na perna esquerda, com perda tecidual. Foi vacinada contra tétano há três anos, durante a gestação. Pode-se afirmar, que após a limpeza da ferida, a conduta mais adequada é administrar:

Alternativas

  1. A) clindamicina e iniciar vacina antirrábica nos dias 0, 3, 7 e 14
  2. B) ciprofloxacina e iniciar vacina antirrábica nos dias 0, 3, 7 e 14
  3. C) sulfametoxazol-trimetoprim e observar o animal por 10 dias
  4. D) amoxicilina-clavulanato e observar o animal por 10 dias

Pérola Clínica

Mordedura de cão (ferida profunda) → Amoxicilina-clavulanato + Observar animal 10 dias.

Resumo-Chave

Em mordeduras de cães com feridas profundas e perda tecidual, a profilaxia antibiótica com amoxicilina-clavulanato é indicada devido ao alto risco de infecção. A observação do animal por 10 dias é crucial para avaliar o risco de raiva, evitando a vacinação antirrábica desnecessária se o animal permanecer saudável.

Contexto Educacional

As mordeduras de animais, especialmente de cães, são ocorrências comuns que exigem manejo clínico adequado devido ao risco de infecção bacteriana e, em menor grau, raiva e tétano. A avaliação inicial deve focar na limpeza exaustiva da ferida, desbridamento se necessário, e na avaliação do risco de infecção e transmissão de doenças. Para feridas profundas, com perda tecidual ou em locais de alto risco (mãos, pés, face), a profilaxia antibiótica é fortemente recomendada. O amoxicilina-clavulanato é o antibiótico de escolha devido à sua cobertura contra Pasteurella multocida e outras bactérias comuns em mordeduras. A profilaxia antitetânica deve ser atualizada conforme o histórico vacinal do paciente. Em relação à raiva, a conduta mais adequada é observar o animal agressor por 10 dias. Se o animal for conhecido, sadio e permanecer vivo e sem sinais de raiva durante esse período, a profilaxia antirrábica humana pode ser evitada. A vacinação antirrábica e/ou imunoglobulina são reservadas para casos de animais desconhecidos, com suspeita de raiva, ou que morrem/desaparecem durante a observação.

Perguntas Frequentes

Quando a profilaxia antibiótica é indicada para mordeduras de animais?

É indicada para feridas profundas, com perda tecidual, em mãos, pés, face, genitais, ou em pacientes imunocomprometidos. O amoxicilina-clavulanato é a primeira escolha.

Qual a importância da observação do animal após uma mordedura?

A observação do animal por 10 dias é fundamental para determinar a necessidade da profilaxia antirrábica. Se o animal permanecer saudável e vivo após 10 dias, não há risco de raiva e a vacinação humana pode ser suspensa.

Qual a conduta para a profilaxia antitetânica em mordeduras?

A profilaxia antitetânica depende do histórico vacinal do paciente e do tipo de ferida. Feridas profundas e contaminadas exigem reforço se a última dose foi há mais de 5 anos, ou imunoglobulina se o esquema for incompleto ou desconhecido.

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