FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Um adulto hígido de 28 anos de idade compareceu ao pronto atendimento devido a uma mordedura de um cão. O paciente compareceu ao hospital 8 horas após o acidente e informou que o animal era de seu vizinho. O homem não apresentou qualquer mudança clínica recente, estava sob vigilância em domicílio e não possuía comprovação vacinal. A ferida estava localizada na mão esquerda, e se mostrava profunda e com exposição de tecido subcutâneo. Considerando o quadro clínico descrito, assinale a opção que apresenta a conduta adequada em relação ao antibiótico.
Mordedura em mão ou profunda → Profilaxia com Amoxicilina/Clavulanato.
Feridas profundas, em mãos ou próximas a articulações por mordedura animal exigem profilaxia com Amoxicilina/Clavulanato para cobrir Pasteurella e anaeróbios.
O manejo de mordeduras animais envolve a limpeza exaustiva com soro fisiológico, avaliação da vacinação antitetânica e profilaxia antirrábica. No entanto, a complicação infecciosa bacteriana é frequente, especialmente em extremidades como as mãos, onde o espaço compartimentado facilita a disseminação. A Pasteurella multocida é um cocobacilo gram-negativo presente na saliva de cães (50%) e gatos (75-90%), causando celulite de rápida progressão. A escolha da Amoxicilina/Clavulanato baseia-se na sua eficácia contra esse agente e outros comensais orais, prevenindo complicações graves como tenossinovite e osteomielite.
A Amoxicilina/Clavulanato é o padrão-ouro porque oferece cobertura contra os principais patógenos aeróbios e anaeróbios da flora oral canina e felina, especialmente a Pasteurella multocida, que é resistente a cefalosporinas de primeira geração (como cefalexina) e macrolídeos. Além disso, cobre Staphylococcus aureus e anaeróbios produtores de beta-lactamase.
A profilaxia está indicada em: feridas profundas (punção), lesões em mãos, pés, face ou genitais, feridas próximas a articulações ou ossos, pacientes imunossuprimidos, asplênicos ou com doença hepática avançada, e feridas que necessitem de sutura primária (embora a sutura seja evitada em muitos casos).
A profilaxia deve ser iniciada o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras 8 a 12 horas após o acidente. Se o paciente se apresenta após 24 horas sem sinais de infecção, a necessidade de profilaxia é discutível, a menos que pertença a grupos de alto risco (imunossuprimidos ou lesões em mãos).
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