Mononucleose Infecciosa em Crianças: Diagnóstico e Sinais Chave

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Uma criança de seis anos apresenta febre, odinofagia e dor no flanco esquerdo há 15 dias. Ao exame físico, observa-se faringoamigdalite eritemato-pultácea, além de linfonodomegalia cervical, axilar e epitroclear. O exame do abdome não foi possível, pois a criança não cooperou. Com base no enunciado, o diagnóstico mais provável neste casa seria:

Alternativas

  1. A) Faringoamigdalïte estreptocócica;
  2. B) Sífilis secundária;
  3. C) Doença de Still;
  4. D) Mononucleose infecciosa;
  5. E) Estomatite herpética.

Pérola Clínica

Criança com faringoamigdalite, febre e linfonodomegalia generalizada (cervical, axilar, epitroclear) → Mononucleose Infecciosa.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é um diagnóstico provável em crianças com febre prolongada, odinofagia, faringoamigdalite eritemato-pultácea e linfonodomegalia generalizada, incluindo cadeias atípicas como axilar e epitroclear. A dor no flanco esquerdo pode sugerir esplenomegalia, comum na doença, mesmo que o exame abdominal seja limitado.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, frequentemente chamada de 'doença do beijo', é uma síndrome clínica comum em crianças e adolescentes, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus. A epidemiologia mostra que a maioria das pessoas é infectada pelo EBV em algum momento da vida, muitas vezes de forma assintomática na infância. No entanto, quando a infecção ocorre na adolescência ou idade adulta, a doença tende a ser mais sintomática. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico diferencial com outras causas de faringite e linfadenopatia, e no manejo de suas complicações. A fisiopatologia da mononucleose envolve a infecção de linfócitos B pelo EBV, levando a uma resposta imune intensa com proliferação de linfócitos T atípicos, que são característicos no hemograma. Os sintomas resultam dessa resposta inflamatória e da lise celular. O quadro clínico clássico inclui a tríade de febre, faringite e linfadenopatia. A faringite pode ser eritematosa ou pultácea, mimetizando uma infecção bacteriana. A linfonodomegalia é tipicamente generalizada, afetando não apenas as cadeias cervicais, mas também axilares e epitrocleares, o que é um forte indício diagnóstico. A esplenomegalia é comum e pode causar dor no flanco esquerdo, sendo uma preocupação devido ao risco de ruptura esplênica. O diagnóstico da mononucleose infecciosa é primariamente clínico, mas pode ser confirmado por exames laboratoriais. O hemograma revela linfocitose com linfócitos atípicos. Testes sorológicos, como o teste de anticorpos heterófilos (Monoteste), são úteis, especialmente em adolescentes e adultos. Em crianças pequenas, a sorologia específica para EBV (IgM e IgG para VCA, EA e EBNA) pode ser necessária. O tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Antibióticos como amoxicilina devem ser evitados, pois podem causar rash cutâneo. A principal complicação a ser monitorada é a ruptura esplênica, exigindo restrição de atividades físicas. O prognóstico é geralmente excelente, com recuperação completa em algumas semanas a meses.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da mononucleose infecciosa em crianças?

Os sinais e sintomas clássicos incluem febre prolongada, odinofagia intensa, faringoamigdalite eritemato-pultácea e linfonodomegalia generalizada, que pode afetar cadeias cervicais, axilares e epitrocleares. Fadiga e mal-estar são comuns, e pode haver esplenomegalia e hepatomegalia.

Como diferenciar mononucleose infecciosa de faringoamigdalite estreptocócica?

A mononucleose se diferencia da faringoamigdalite estreptocócica pela presença de linfonodomegalia generalizada (incluindo axilar e epitroclear), esplenomegalia, e um curso mais prolongado da doença. Testes laboratoriais como o hemograma (linfocitose atípica) e sorologia para EBV (anticorpos heterófilos ou específicos) confirmam o diagnóstico.

Qual a importância da dor no flanco esquerdo em um caso suspeito de mononucleose?

A dor no flanco esquerdo em um caso suspeito de mononucleose sugere esplenomegalia, uma complicação comum da doença. O aumento do baço o torna mais vulnerável a traumas, com risco de ruptura esplênica. Por isso, atividades físicas de contato devem ser evitadas até a resolução da esplenomegalia.

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