Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Rash por Amoxicilina

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Adolescente de 14 anos, previamente hígida, está em uso de amoxicilina há 4 dias devido a quadro de amigdalite. Retorna ao pronto-socorro por persistência da febre, prostração e aparecimento de edema palpebral e manchas na pele. Ao exame físico, está em regular estado geral, apresentando edema palpebral discreto, adenomegalia cervical bilateral, orofaringe hiperemiada com exsudato em amígdalas, esplenomegalia discreta e rash cutâneo. De acordo com a principal hipótese diagnóstica, a conduta indicada é

Alternativas

  1. A) prescrever anti-histamínico e trocar a amoxicilina para macrolídeo, pois está apresentando reação alérgica ao antibiótico.
  2. B) fazer dose de penicilina benzatina, pois o quadro é compatível com escarlatina.
  3. C) substituir o antibiótico para cefalosporina de segunda geração, para ampliar a cobertura para agente produtor de beta-lactamase.
  4. D) fazer teste rápido e colher cultura de orofaringe para definir o antimicrobiano a ser prescrito.
  5. E) suspender o antibiótico e solicitar sorologia para Epstein-Barr.

Pérola Clínica

Amigdalite + adenomegalia + esplenomegalia + rash pós-amoxicilina → Mononucleose infecciosa (EBV).

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa, causada pelo Vírus Epstein-Barr, pode mimetizar uma amigdalite bacteriana. O uso de amoxicilina nesses casos frequentemente desencadeia um rash cutâneo maculopapular, que não é uma reação alérgica verdadeira, mas sim uma interação droga-doença.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), é uma condição comum em adolescentes e adultos jovens, caracterizada pela tríade clássica de febre, faringite e linfadenopatia. A apresentação clínica pode ser variada, mimetizando outras infecções, incluindo amigdalite bacteriana, o que frequentemente leva ao uso indevido de antibióticos. A esplenomegalia é um achado importante e exige cautela com atividades físicas. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B pelo EBV, levando a uma resposta imune exuberante com proliferação de linfócitos T atípicos. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por testes sorológicos (anticorpos anti-EBV) ou pelo teste de monospot. A suspeita deve surgir em pacientes com amigdalite que não melhoram com antibióticos ou que desenvolvem rash após o uso de amoxicilina. O tratamento da mononucleose é de suporte, focando no alívio dos sintomas. É crucial suspender antibióticos desnecessários, especialmente a amoxicilina, para evitar o rash cutâneo. A principal complicação a ser monitorada é a ruptura esplênica, exigindo restrição de atividades físicas por várias semanas. A educação do paciente sobre a natureza viral da doença e a ausência de necessidade de antibióticos é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa?

Febre, fadiga, faringite exsudativa, adenomegalia (especialmente cervical posterior) e esplenomegalia são os sintomas mais comuns, formando a tríade clássica da doença.

Por que a amoxicilina causa rash na mononucleose?

Não é uma reação alérgica verdadeira, mas uma interação droga-doença. Acredita-se que o vírus altere o metabolismo da amoxicilina ou induza uma resposta imune que leva ao rash maculopapular.

Como diferenciar mononucleose de amigdalite bacteriana?

A mononucleose frequentemente apresenta esplenomegalia, adenomegalia generalizada e, se tratada com amoxicilina, um rash. A sorologia para EBV ou teste de monospot confirmam o diagnóstico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo