UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
Paciente feminina de 18 anos procura atendimento devido a dor de garganta e febre há três dias. Também apresenta cefaleia, dor abdominal, náuseas e êmese. Refere persistência de quadro de fadiga e mialgia, que iniciou duas semanas antes da primeira febre. Nega comorbidades ou uso de medicamentos. Nega relação desprotegida. Apresenta FC 96/min, PA 118/78 mmHg, FR 14/min, temperatura 38,0 °C, e SpO₂ 99% em ar ambiente. Ao exame físico, destacam-se hiperemia e exsudato em faringe, linfonodomegalia cervical, icterícia, hepatimetria = 15 cm e espaço de Traube ocupado. Exames laboratoriais demonstram: Hb = 11,4 g/dL; VG = 34%; VCM = 90,1 fL; HCM = 30,2 pg; CHCM = 33,9 g/dL; RDW = 17%; leucócitos = 10.012/mm³ ; linfócitos = 7.147/mm³ ; linfócitos atípicos = 4.211/mm³ ; plaquetas = 96.500/mm³ ; ALT = 128 U/L; AST = 133 U/L; FA = 174 U/L; GGT 55 U/L; BT = 3,4 mg/dL; BD = 0,9 mg/dL; LDH = 451 U/L. A pesquisa de anticorpos heterófilos foi positiva (considere especificidade = 100%). Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o agente etiológico?
Febre, faringite, linfonodomegalia, linfocitose atípica + anticorpos heterófilos positivos = Mononucleose por EBV.
O quadro clínico clássico de febre, faringite exsudativa, linfonodomegalia e hepatoesplenomegalia, associado a linfocitose com linfócitos atípicos e teste de anticorpos heterófilos positivo, é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa, cuja etiologia mais comum é o Vírus Epstein-Barr (EBV).
A mononucleose infecciosa, popularmente conhecida como "doença do beijo", é uma síndrome clínica causada mais comumente pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus que infecta linfócitos B. É prevalente em adolescentes e adultos jovens, e sua apresentação clínica pode variar, mas tipicamente envolve uma tríade de febre, faringite exsudativa e linfonodomegalia, especialmente cervical. O diagnóstico da mononucleose infecciosa é primariamente clínico, mas é corroborado por achados laboratoriais característicos. O hemograma frequentemente revela leucocitose com linfocitose e a presença de linfócitos atípicos (linfócitos reativos). O teste de anticorpos heterófilos, como o Monoteste, é um exame rápido e específico que, quando positivo, confirma a infecção por EBV. Outros achados podem incluir elevação de transaminases e bilirrubinas, indicando envolvimento hepático, e esplenomegalia, que exige cautela devido ao risco de ruptura esplênica. Para residentes, é crucial diferenciar a mononucleose de outras condições que causam faringite e linfonodomegalia, como faringite estreptocócica ou infecção aguda por HIV. A identificação correta do agente etiológico e o manejo adequado dos sintomas, incluindo repouso e evitar atividades físicas intensas em casos de esplenomegalia, são fundamentais para a recuperação do paciente e para evitar complicações.
Os sintomas clássicos incluem febre, faringite exsudativa, linfonodomegalia (especialmente cervical posterior), fadiga intensa, mialgia, cefaleia e, frequentemente, hepatoesplenomegalia.
O diagnóstico é feito pela presença de linfocitose com linfócitos atípicos no hemograma e pela positividade dos testes para anticorpos heterófilos (teste de Paul-Bunnell ou Monoteste), que são altamente específicos.
Os diferenciais incluem faringite estreptocócica, infecção por CMV, HIV agudo, toxoplasmose, rubéola e outras infecções virais que podem causar síndromes mononucleose-like.
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