SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2021
Um menino de 13 anos iniciou há 4 dias com quadro de febre (38,5 ºC), odinofagia e adinamia. Foi ao pronto-atendimento e lhe foi prescrito amoxicilina com diagnóstico de amigdalite bacteriana. Dois dias depois após iniciar o tratamento, surgiu rash cutâneo em região do tronco, persistência da febre. Retornou com outro médico que o examinou e solicitou exames. Exame físico: REG, corado e hidratado, febril (38,9 ºC) linfonodomegalia cervical posterior 1-2cm levemente dolorosos bilateral, oroscopia com hiperemia amigdaliana bilateral e presença de placas acinzentadas, abdome com hepatoesplenomegalia discreta e desconforto á palpitação, ausculta pulmonar e cardíaca sem particularidades. Presença de exantema maculopapular em tronco. Laboratório: Hemograma: Hb:13,1 ; Ht: 39,8% ; Leucócitos: 13.600 céls/mm³ com linfócitos atípicos 69,5%, segmentados 29,4%, eosinófilos 0,4%. Plaquetas: 110.000 /mm³ ; PCR: 41mg/L ; Transaminases: TGO 100 U/L ; TGP 191 U/L.A hipótese diagnóstica mais provável e o tratamento para o caso acima é:
Mononucleose + Amoxicilina = Rash maculopapular.
A mononucleose infecciosa, causada pelo EBV, frequentemente apresenta febre, odinofagia, linfonodomegalia e hepatoesplenomegalia. O uso de amoxicilina nesse contexto é um erro comum, pois induz um rash maculopapular característico, não sendo uma alergia verdadeira. O tratamento é sintomático.
A mononucleose infecciosa é uma doença viral aguda, geralmente benigna e autolimitada, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV). É comum em adolescentes e adultos jovens, transmitida pela saliva. O quadro clínico clássico inclui febre, odinofagia (muitas vezes com amigdalite exsudativa), linfonodomegalia generalizada (com destaque para cadeias cervicais posteriores) e fadiga. Hepatoesplenomegalia discreta e elevação de transaminases são achados frequentes. O diagnóstico é sugerido pela clínica e confirmado por exames laboratoriais, como hemograma (leucocitose com linfocitose atípica >10%) e sorologia para EBV (anticorpos heterófilos ou específicos). Um ponto crucial é a reação cutânea que ocorre em cerca de 90% dos pacientes com mononucleose que recebem amoxicilina ou ampicilina, manifestando-se como um exantema maculopapular difuso. Este rash não é uma alergia verdadeira à penicilina, mas uma reação imunológica específica ao EBV. O tratamento da mononucleose é sintomático, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Antibióticos são contraindicados, e corticoides são reservados para complicações como obstrução de vias aéreas ou anemia hemolítica grave. Residentes devem estar cientes da associação entre mononucleose e rash por amoxicilina para evitar diagnósticos errôneos de alergia e tratamentos inadequados.
Clinicamente, febre, odinofagia, linfonodomegalia (especialmente cervical posterior), hepatoesplenomegalia e exantema maculopapular (se usado amoxicilina). Laboratorialmente, leucocitose com linfocitose atípica e transaminases elevadas.
Não é uma reação alérgica verdadeira, mas uma reação imunológica mediada por linfócitos T ativados pelo EBV, que reagem com metabólitos da amoxicilina, resultando em um exantema maculopapular.
O tratamento é primariamente de suporte e sintomático, incluindo repouso, hidratação, analgésicos e antipiréticos. Antibióticos não são indicados, e corticoides são reservados para complicações graves.
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