Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Manejo Clínico

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024

Enunciado

Escolar de oito anos é levado a consulta de emergência devido a quadro de febre alta (39ºC) e dor de garganta há quatro dias. Os pais informam que o paciente vem recebendo azitromicina há 48 horas sem melhora. Exame físico: exsudato purulento sobre as amígdalas, hiperemia de pilar anterior, petéquias em palato, linfadenomegalia generalizada e ponta de baço palpável. A principal hipótese diagnóstica e a conduta indicada nesse momento são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) mononucleose infecciosa - suspender azitromicina
  2. B) Difteria - iniciar soro antidiftérico e manter azitromicina
  3. C) amigdalite estreptocócica com evolução para glomerulonefrite difusa aguda - manter antibiótico
  4. D) difteria - iniciar soro antidiftérico e substituir azitromicina por eritromicina

Pérola Clínica

Mononucleose infecciosa: amigdalite exsudativa + linfadenomegalia generalizada + esplenomegalia + falha ATB.

Resumo-Chave

A falha terapêutica com azitromicina em um quadro de amigdalite exsudativa com linfadenomegalia generalizada e esplenomegalia sugere fortemente uma etiologia viral, como a mononucleose infecciosa, causada pelo EBV. O uso de antibióticos nesse contexto é ineficaz e pode levar a rash cutâneo se for amoxicilina/ampicilina.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é uma condição comum em escolares e adolescentes, caracterizada pela tríade de febre, faringite e linfadenopatia. Sua importância clínica reside na necessidade de diferenciá-la de outras causas de faringite, especialmente as bacterianas, para evitar o uso inadequado de antibióticos. A epidemiologia mostra que a maioria dos adultos já foi exposta ao EBV, mas a infecção primária pode ser sintomática. A fisiopatologia envolve a replicação viral em linfócitos B, levando a uma resposta imune intensa com linfocitose atípica. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nos achados de amigdalite exsudativa, linfadenomegalia generalizada, esplenomegalia e, por vezes, petéquias em palato. A suspeita deve ser alta quando há falha terapêutica a antibióticos para faringite. Testes sorológicos (monoteste, anticorpos EBV) podem confirmar o diagnóstico, mas não são sempre necessários. O tratamento da mononucleose é de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Antibióticos são contraindicados, e o uso de amoxicilina ou ampicilina pode induzir um rash cutâneo. É crucial orientar sobre o risco de ruptura esplênica, evitando atividades físicas intensas por semanas a meses. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa, mas a fadiga pode persistir por um tempo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da mononucleose infecciosa?

A mononucleose infecciosa classicamente apresenta febre, faringite exsudativa, linfadenomegalia generalizada e esplenomegalia. Petéquias no palato também são um achado comum.

Por que a azitromicina não é eficaz na mononucleose e qual a conduta?

A azitromicina não é eficaz porque a mononucleose é causada por um vírus (EBV), não por bactéria. A conduta é suspender o antibiótico e oferecer tratamento de suporte.

Como diferenciar mononucleose de amigdalite estreptocócica?

A mononucleose cursa com linfadenomegalia generalizada e esplenomegalia, que são incomuns na amigdalite estreptocócica. A falha ao tratamento antibiótico também sugere etiologia viral.

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