UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023
Maria Gabriela, 14 anos, foi atendida na UPA do Satélite devido a quadro de febre diária, dor de garganta e astenia/fadiga há cerca de 1 semana, com piora nas últimas 36 horas. Há 3 dias após consulta médica na UBS, iniciou amoxicilina + clavulanato. No exame físico: hiperemia exsudativa em tonsilas palatinas, com linfonodos cervicais aumentados, rash cutâneo macular no tronco e MMSS e discreto edema bipalpebral. Hemograma mostra 14.000 leucócitos, com atipia em cerca de 15% dos linfócitos. Assinale a alternativa CORRETA.
Mononucleose infecciosa + amoxicilina → rash cutâneo macular. Suspender ATB.
A mononucleose infecciosa, causada pelo EBV, frequentemente apresenta faringite exsudativa, linfadenopatia e linfocitose atípica. A administração de amoxicilina (ou ampicilina) em pacientes com mononucleose pode desencadear um rash cutâneo macular, não alérgico, que é um forte indício diagnóstico e requer a suspensão do antibiótico.
A mononucleose infecciosa, comumente causada pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), é uma condição prevalente em adolescentes e adultos jovens. Caracteriza-se pela tríade clássica de febre, faringite exsudativa e linfadenopatia, frequentemente acompanhada de fadiga intensa. O diagnóstico diferencial com faringite bacteriana é crucial, pois o tratamento inadequado com antibióticos pode levar a complicações ou reações adversas. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B, resultando em uma resposta imune robusta com proliferação de linfócitos T atípicos, visíveis no hemograma. A suspeita clínica é elevada na presença de sintomas prolongados, linfadenopatia cervical posterior e edema bipalpebral. A ocorrência de um rash cutâneo macular após a administração de amoxicilina ou ampicilina é um forte indicativo de mononucleose, diferenciando-a de uma faringite bacteriana simples. O tratamento da mononucleose é primariamente de suporte, visando aliviar os sintomas. Antibióticos são contraindicados, especialmente amoxicilina, devido ao risco de rash. É importante orientar o paciente sobre a fadiga prolongada e a restrição de atividades físicas, principalmente esportes de contato, para evitar ruptura esplênica em casos de esplenomegalia.
A mononucleose infecciosa tipicamente se manifesta com febre, faringite exsudativa, linfadenopatia (especialmente cervical) e fadiga. Pode haver também hepatoesplenomegalia e, em adolescentes, edema bipalpebral.
A amoxicilina (e ampicilina) pode induzir um rash cutâneo macular em até 90% dos pacientes com mononucleose infecciosa. Este rash não é uma reação alérgica verdadeira, mas um efeito farmacológico, e o antibiótico deve ser descontinuado para evitar confusão diagnóstica e desconforto.
A mononucleose pode mimetizar a faringite estreptocócica. No entanto, a presença de linfocitose atípica no hemograma, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia e o rash após amoxicilina são mais sugestivos de mononucleose. Testes sorológicos para EBV confirmam o diagnóstico.
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