Mononucleose Infecciosa Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Eduardo tem três anos e é levado à consulta, por sua mãe, por apresentar febre alta há 10 dias. Ao exame físico, apresenta edema palpebral bilateral, petéquias no palato, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior e posterior, fígado palpável a 3,5cm do RCD e baço a 2,5cm do RCE. O exame laboratorial indicado para confirmação do diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Aspirado de medula óssea. 
  2. B) Sorologia para vírus da dengue.
  3. C)  Sorologia para vírus de Epstein-Barr. 
  4. D) Bacterioscopia e cultura da secreção faríngea.
  5. E) Teste rápido para pesquisa de estreptococo do grupo A.

Pérola Clínica

Febre prolongada, adenomegalia, hepatoesplenomegalia e exsudato amigdaliano em criança → suspeitar mononucleose; confirmar com sorologia para EBV.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre prolongada, linfadenopatia generalizada (especialmente cervical posterior), hepatoesplenomegalia e exsudato amigdaliano é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa. A sorologia para o vírus Epstein-Barr (EBV), com pesquisa de anticorpos específicos, é o exame confirmatório.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, frequentemente causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é uma síndrome comum na infância e adolescência, embora possa ocorrer em qualquer idade. Caracteriza-se por uma tríade clássica de febre, faringite e linfadenopatia, mas pode apresentar uma gama variada de sintomas, tornando seu diagnóstico um desafio clínico. A epidemiologia mostra que a maioria dos adultos já foi exposta ao EBV, mas a infecção primária na infância pode ser assintomática ou apresentar-se com o quadro típico. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B, levando a uma resposta imune exuberante com proliferação de linfócitos T atípicos. O quadro clínico de Eduardo, com febre alta prolongada, edema palpebral bilateral, petéquias no palato, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior e posterior, e hepatoesplenomegalia, é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa. O diagnóstico laboratorial é confirmado pela sorologia para EBV, que detecta anticorpos específicos (IgM anti-VCA para infecção aguda e IgG anti-VCA e anti-EBNA para infecção passada ou crônica). O teste de Paul-Bunnell, que detecta anticorpos heterófilos, também pode ser utilizado, mas é menos sensível em crianças pequenas. O tratamento da mononucleose é sintomático, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Complicações raras incluem ruptura esplênica (exigindo restrição de atividades físicas), obstrução de vias aéreas superiores por hipertrofia linfática e anemia hemolítica. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa, mas a fadiga pode persistir por semanas a meses. É crucial o acompanhamento para monitorar o tamanho do baço e evitar traumas abdominais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da mononucleose infecciosa em crianças?

Os sinais clássicos incluem febre alta prolongada, fadiga intensa, faringite com exsudato amigdaliano, adenomegalia (especialmente cervical posterior) e hepatoesplenomegalia. Edema palpebral e petéquias no palato também podem ocorrer.

Qual o exame laboratorial mais indicado para confirmar o diagnóstico de mononucleose infecciosa?

A sorologia para o vírus Epstein-Barr (EBV) é o exame confirmatório, pesquisando anticorpos específicos como IgM e IgG para VCA (antígeno do capsídeo viral) e EA-D (antígeno precoce difuso).

Como diferenciar mononucleose de outras causas de faringite com exsudato?

A mononucleose se diferencia pela presença de adenomegalia cervical posterior, hepatoesplenomegalia, febre prolongada e, por vezes, edema palpebral. Testes para estreptococo seriam negativos, e a sorologia para EBV confirmaria o diagnóstico.

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