Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Sinais Clínicos

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Uma adolescente com 12 anos de idade é levada à Unidade Básica de Saúde, com febre de 39,5°C há 5 dias, associada a odinofagia e dor abdominal. Ao exame físico, apresenta regular estado geral, presença de adenomegalia cervical posterior bilateral móvel e de consistência elástica, com linfonodos de 3 cm no maior diâmetro e exsudato branco acinzentado em amígdalas. O fígado apresenta-se palpável a 2 cm do rebordo costal direito e o baço palpável a 4 cm de rebordo costal esquerdo. De acordo com o quadro clínico descrito, a hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Difteria.
  2. B) Herpangina.
  3. C) Amigdalite bacteriana.
  4. D) Mononucleose infecciosa.

Pérola Clínica

Febre + Faringite + Adenomegalia posterior + Esplenomegalia = Mononucleose Infecciosa.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa, causada pelo EBV, apresenta-se classicamente com linfadenopatia cervical posterior e esplenomegalia, diferenciando-se das amigdalites bacterianas que costumam cursar com adenomegalia anterior e sem aumento esplênico.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa é uma síndrome clínica causada principalmente pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus humano tipo 4. A transmissão ocorre predominantemente pela saliva. Em adolescentes, a apresentação é mais exuberante, refletindo uma resposta imune vigorosa. O quadro clínico evolui com pródromos de mal-estar, seguidos por febre alta, odinofagia grave com exsudato branco-acinzentado e linfadenopatia generalizada. O envolvimento do sistema reticuloendotelial manifesta-se por hepatomegalia e, crucialmente, esplenomegalia. O tratamento é de suporte, focando em hidratação, analgesia e repouso, evitando-se o uso de antibióticos aminopenicilínicos devido ao risco de farmacodermia induzida pelo vírus.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar mononucleose de amigdalite estreptocócica?

Embora ambas causem febre e exsudato amigdaliano, a mononucleose geralmente apresenta linfadenopatia cervical posterior (em vez de apenas anterior), esplenomegalia em cerca de 50% dos casos e fadiga intensa. Laboratorialmente, a mononucleose exibe linfocitose com atipia linfocitária, enquanto a bacteriana apresenta leucocitose com desvio à esquerda.

Qual o risco da esplenomegalia na mononucleose?

O maior risco é a ruptura esplênica, que embora rara, é uma complicação potencialmente fatal. Por isso, recomenda-se que atletas e adolescentes evitem esportes de contato por pelo menos 3 a 4 semanas após o início dos sintomas, ou até que a esplenomegalia tenha se resolvido clinicamente ou por imagem.

O que são linfócitos atípicos?

Linfócitos atípicos (ou células de Downey) são linfócitos T citotóxicos ativados que respondem à infecção das células B pelo vírus Epstein-Barr. Eles possuem citoplasma abundante e núcleos irregulares. A presença de mais de 10% de linfócitos atípicos no hemograma é fortemente sugestiva de mononucleose infecciosa.

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